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SOS Mata Atlântica divulga mapa inédito de Curitiba

Depois de divulgar o novo Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, no qual o Paraná teve o aumento mais bru..

Narley Resende - 29 de agosto de 2016, 08:08

Depois de divulgar o novo Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, no qual o Paraná teve o aumento mais brusco de perda da floresta nativa em relação ao relatório anterior, a SOS Mata Atlântica publicou neste mês um mapeamento inédito da cidade de Curitiba.

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Feito em parceria com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o mapa mostrou que a capital paranaense ainda preserva 8,6% de sua Mata Atlântica original.

O novo número gera impacto comparado com estudos mais antigos feitos em Curitiba, que mostravam somente 1,3% de floresta preservada.

Marcia Hirota, diretora-executiva da ONG, alerta, no entanto, que a diferença não se deve a um aumento de floresta nativa na cidade, mas a uma nova técnica de mapeamento da Mata Atlântica no município.

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“É muito mais detalhado. A metodologia reduz de 3 hectares para 1 ha a área mínima de identificação das imagens captadas por satélite. A partir disso, conseguimos visualizar áreas menores, fragmentos florestais em estágios iniciais de regeneração”, explicou Hirota.

unnamedIlhas de mata

A grande diferença, portanto, está na cobertura das imagens. Na metodologia anterior, só áreas bem preservadas eram analisadas. Agora, mostras da Mata Atlântica pela cidade também puderam ser identificadas. Para a diretora-executiva, esses pontos garantem mais qualidade de vida para a população.

“Mesmo que pequenas ilhas, elas têm suas funções, seja por regular o clima, o habitat de aves, de pequenos mamíferos”, comentou Hirota.

As regiões norte, oeste e sul da cidade são as que mais concentram áreas preservadas, segundo o novo mapa. Os parques urbanos também aparecem como protagonistas no mapeamento, exibindo áreas de remanescentes florestais.

Plano Municipal da Mata Atlântica

“Esperamos que esse mapeamento, por facilitar o entendimento da ocupação do solo, dê suporte à gestão municipal de Curitiba em ações de conservação. Felizmente, a cidade já conta com o Plano Municipal da Mata Atlântica e diversas Reservas Particulares do Patrimônio Natural”, disse a Hirota, ressaltando ainda a importância que se invista na criação de novas áreas protegidas, corredores ecológicos e na recuperação de áreas estratégicas para a proteção da água.

Esse estudo detalhado da floresta nativa só foi feito pela SOS Mata Atlântica nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. No Paraná, por enquanto, só Curitiba recebeu o novo mapeamento.

Paraná – campeão do desmatamento

A Mata Atlântica é o bioma predominante no Paraná, presente em 99% de sua área. Restam hoje 11,7% da vegetação original – um pouco menos de 2,3 milhões de hectares (ha).

De acordo com os dados do último Atlas, divulgados em maio deste ano, foram desmatados, entre 2014 e 2015, 1.988 ha de florestas nativas no Estado, um aumento de 116% se comparado ao período anterior.

Do total devastado, 1.777 ha (89%) ocorreram em regiões de florestas com araucária, espécie símbolo do Paraná e ameaçada de extinção.

Considerado o histórico dos 30 anos de monitoramento, o Paraná lidera o ranking dos maiores desmatados da Mata Atlântica com 456.514 ha destruídos, área que equivale aproximadamente à 11 cidades de Curitiba.

(Com informações do Metro Jornal Curitiba)