Taxistas protestam em Curitiba

Narley Resende


Um grupo de mais de 100 taxistas de Curitiba e Região Metropolitana organizaram protestos na manhã desta segunda-feira, contra o aplicativo Uber. Em carreata, os taxistas devem se reunir em frente à Câmara de Curitiba, palco de discussões recentes sobre a liberação, proibição ou regulamentação do Uber e outros serviços similares.

A carreata também passou pelo Ministério Público do Paraná e Justiça Federal, local de trabalho do juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato em primeira instância. Os taxistas argumentam que os “cidadãos de bem” que apoiam a luta contra corrupção não podem defender o Uber como serviço pirata.

Na última sexta-feira, um desentendimento entre taxistas do município de São José dos Pinhais, onde fica localizado o Aeroporto Internacional Afonso Pena, na Região Metropolitana de Curitiba, e motoristas do Uber, desencadeou uma série de confrontos entre as duas categorias profissionais em diversos pontos da região de Curitiba e necessitou de intervenções da Polícia Militar durante toda a noite de sexta.

Foto: Ricardo Pereira / BandNews FM Curitiba
Foto: Ricardo Pereira / BandNews FM Curitiba

A confusão teve início nas imediações do aeroporto, onde um motorista do Uber teve seu carro danificado por taxistas de São José dos Pinhais. Em reação, diversos ‘ubers’ se deslocaram para o aeroporto para tirar satisfação com os taxistas, gerando as primeiras situações de tumulto.

Na sequência, taxistas de Curitiba foram ao local “reforçar” o efetivo dos colegas da cidade vizinha no confronto. Dispersados pela polícia, taxistas e motoristas do Uber mantiveram o clima de hostilidade pelas ruas da capital paranaense, com vários casos isolados sendo registrados durante a noite.

Já no retorno para Curitiba, os motoristas credenciados pelo aplicativo e os taxistas voltaram a se confrontar em um posto de gasolina da Avenida Mariano Torres. Segundo testemunhas, taxistas cercaram um carro do Uber, que, para se desvencilhar do cerco, avançou com o carro sobre os táxis e os taxistas que estavam à pé.

A Prefeitura Municipal de Curitiba emitiu nota afirmando que “as situações de agressão e ameaça são ocorrências policiais e devem ser atendidas pela Polícia Militar e apuradas pela Polícia Civil”. Já com relação aos taxistas envolvidos no episódio, a prefeitura explica que os motoristas podem ser denunciados pela conduta diretamente na Urbanização de Curitiba S/A (Urbs) e estão sujeitos às sanções previstas nos contratos, caso seja constatada conduta inadequada. Entre as punições está a perda da autorização para circular, salienta. “Já em relação à atuação do Uber na capital, o transporte de passageiros por motoristas que atendem pelo aplicatico não está regulamentado em Curitiba e é, portanto, uma atividade irregular. As denúncias que chegam à Urbs e Setran são alvo de fiscalização e os motoristas estão sujeitos às sanções previstas no Código de Transito Brasileiro”, diz a nota.

A prefeitura ainda informa que a Setran, Urbs, BPTRAN e Guarda Municipal já fizeram 75 ações integradas para fiscalizar serviço irregular de transporte de passageiros em Curitiba. Foram abordados 370 veículos e 46 motoristas vinculados ao aplicativo Uber foram autuados.

Confira a nota da Polícia Militar:

“A fiscalização e a legislação em relação ao transporte público de passageiros são de responsabilidade do município, por meio da Prefeitura Municipal. A Polícia Militar do Paraná age quando há perturbação da ordem, situações de ameaça, rixa, vias de fato, perturbação do trabalho ou qualquer outra situação que caracterize crime e exija intervenção policial.

Esta situação invoca o chamado poder de polícia administrativa, razão pela qual a Polícia Militar só pode agir quando o problema foge da esfera administrativa (de competência da prefeitura) e caracteriza perturbação da ordem em situação criminal.

Nessa noite – sexta-feira (24/06) e madrugada de sábado (25/06) – a PM atendeu aos chamados sobre questões envolvendo taxistas e motoristas do Uber. Em um deles, em São José dos Pinhais, um homem foi encaminhado por perturbação do trabalho, após tentar impedir que taxistas atuassem. Antes disso, no mesmo local, houve uma confusão entre os dois grupos, que foi dispersada pela Polícia Militar e Guarda Municipal.

Em Curitiba, um taxista foi encaminhado à Dedetran, durante abordagem da Polícia Militar a taxistas e motoristas do Uber que faziam confusão na Rua Bispo Dom José (Batel). O profissional estava com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa e o veículo também foi recolhido devido à irregularidades. Um Termo Circunstanciado foi lavrado.

Em outra situação, na Avenida do Batel, taxistas viraram um veiculo de um suposto motorista do Uber e fugiram. A PM chegou ao local para atender a ocorrência e, ao checar os dados do solicitante no sistema, descobriu que ele estava com mandado de prisão em aberto. Assim, a equipe policial encaminhou o homem à delegacia.”

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