Trabalhadores do HC decidem hoje se mantêm greve

Mariana Ohde


Os trabalhadores do Hospital de Clínicas (HC), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, deve decidir nesta quarta-feira (8) se vão manter a paralisação iniciada na segunda-feira (6). Os funcionários da Fundação de Apoio à Universidade Federal do Paraná (Funpar) e representantes da direção do hospital se reuniram nesta terça-feira (7) em uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho para tentar chegar a um acordo sobre as demandas da categoria.

O sindicato que representa os trabalhadores (Sinditest) pediu, na audiência, um reajuste de 20%. O sindicato defende que 9,27% são referentes à variação do INPC e 6,08% a perdas salariais. O restante seria ganho real. “Se vier um índice menor, algo que contemple, pelo menos, a inflação, a gente, apresentando na assembleia, tem grandes chances de a gente conseguir encerrar o movimento grevista e retornar ao trabalho”, explica o coordenador geral do Sinditest, José Carlos de Assis.

Para o Ministério Público do Trabalho (MPT), os trabalhadores deveriam aceitar a proposta da Funpar de 5% de reajuste, retroativo a 1º de maio. Após o fim da greve, seria marcada uma nova audiência de conciliação no prazo de dois meses para discutir as perdas salariais. Até a nova sessão, as partes se comprometeriam a negociar os valores. A Funpar, que aceitou a proposta do MPT, afirma que precisa buscar recursos públicos para um possível reajuste maior. A Funpar alega que a tem uma dívida de R$ 5 milhões e não tem como pagar um reajuste maior do que 5,2%. A assembleia dos trabalhadores, hoje, deve avaliar o resultado da audiência.

Serviços afetados

Nesta terça-feira (7), segundo dia da grave, 252 funcionários aderiram à paralisação. Divididos em três turnos, 851 trabalhadores compõe o quadro da Funpar. A maioria é formada por funcionários de setores administrativos.

Segundo a assessoria do HC, os serviços parcialmente afetados até agora são prestados na Central de Agendamento, ambulatórios, Biobanco, e setor de exames. Na Unidade Processamento de Materiais, houve adesão expressiva de funcionários à paralisação, mas o HC afirma que até o momento nenhuma cirurgia foi cancelada. Apesar da lentidão, todos os pacientes estão sendo atendidos, tanto de Curitiba como os que vêm de outras cidades.

Interdição ética

Também nesta terça-feira, o HC se reuniu com o Conselho Regional de Medicina do Paraná, que determinou a interdição ética das Unidades de Terapia Intensiva cardíaca, pediátrica e neonatal do hospital. Será dado o prazo de 120 dias para que a instituição ofereça as condições para a boa prática médica em prol da população. Outros setores da instituição também estão sob análise, após fiscalização que indicou uma série de problemas que fragilizam a qualidade do atendimento, como a falta de funcionários, de materiais e de medicamentos.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal