Votação do pacotaço de Greca será na Ópera de Arame

Roger Pereira


Apesar de o presidente da Câmara Municipal de Curitiba, Serginho do Posto (PSDB) ter declarado ontem que não retiraria sessões legislativas da sede da Câmara Municipal, os vereadores aprovaram, na noite desta sexta-feira (23), em sessão extraordinária convocada com duas horas de antecedência a transferência das sessões de segunda-feira e terça-feira para a Ópera de Arame. Por 21 votos a 10, os vereadores acataram sugestão do secretário estadual de Segurança Pública, Wagner Mesquita, para transferir o local da votação por questões de segurança, por conta dos conflitos ocorridos nas duas últimas semanas com os protestos de servidores públicos municipais que ocuparam a Câmara nas duas ocasiões.

As sessões na Ópera de Arame votarão os 12 projetos que compõem o Plano de Recuperação de Curitiba, pacote de medidas fiscais do prefeito Rafael Greca (PMN) que altera benefícios dos servidores públicos e permite o saque de R$ 600 milhões do fundo previdenciário do funcionalismo. A sugestão de alteração do local de votação ocorreu após duas reuniões na Secretaria de Segurança Pública entre o secretário, vereadores, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, OAB, Ministério Público e representantes dos sindicatos.

A ideia de se transferir a sessão para outra localidade chegou a ser cogitada por vereadores da base de apoio ao prefeito, mas, num primeiro momento, refutada pela Mesa Executiva da Casa. A sugestão do secretário de Estado, de um governo aliado ao prefeito Rafael Greca, evitou o desgaste da Mesa em propor tal alteração.

Convocada para às 18h30 desta sexta-feira, a sessão extraordinária foi curta. Em cerca de meia hora, a proposta já havia sido votada. Com ampla maioria de vereadores na base de apoio ao prefeito, poucos parlamentares quiseram debater a proposta, partindo logo para a votação.

Integrantes da Mesa, os vereadores Bruno Pessuti (PSD) e Mauro Ignácio (PSB) fizeram a defesa da transferência da sessão. “Temos o dever e a obrigação de manter nossa atividade em pleno funcionamento. Não podemos sucumbir às pressões externas, porque nossa função é votar. Iniciativa foi da Sesp. Porque durante três vezes a Câmara foi invadida”. Ele argumentou que, enquanto só seriam permitidas 28 pessoas da sociedade civil na sessão no plenário da Câmara, na Ópera de Arame há a garantia da participação de 100 pessoas. “O que estamos buscando é a preservação da vida. Não queremos que essa votação seja manchada pelo sangue. Não há interesse que essa votação seja marcada por violência. A própria oposição anunciou que o conflito seria inevitável. Temos que evitar esse conflito, mas o parlamento não pode parar, e assim será feito de maneira pacífica, garantindo o nosso trabalho e a segurança da população”, acrescentou Ignácio.

Professora Josete (PT). Dra. Maria Letícia (PV) e Goura (PDT), criticaram a alteração. “Quando dizemos que temos que sair deste espaço para votar em segurança determinado tema, acredito que tem algo de muito errado nisso”, disse Josete. “Lamento que hoje estamos numa sessão para dizer para o povo de Curitiba que os vereadores não têm condições moral para votar um projeto e vão ter que se esconder na Ópera de Arame”, acrescentou. “Não podemos sair de onde juramos defender a democracia. Eu não devo sair da Casa Legislativa para fazer votação” disse Maria Letícia.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal
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