Covid-19: Com Curitiba em situação crítica, governo do Paraná publicará novo decreto

Vinicius Cordeiro

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O governo do Paraná divulgou que vai publicar um novo decreto determinando restrições de diversas atividades no combate ao coronavírus nesta sexta-feira (19). Uma reunião, na manhã desta quarta-feira (17) com o prefeito de Curitiba, Rafael Greca (DEM), e demais prefeitos dos municípios da Região Metropolitana selou a decisão. Ontem (16), a capital paranaense bateu recorde de mortes e casos de coronavírus e chegou a 85% a taxa de ocupação de leito SUS para Covid-19. Segundo a infectologista da Secretaria Municipal da Saúde, Marion Burger, Curitiba poderá não ter mais leitos para internamento, seja para coronavírus ou não, em duas semanas.

Conforme o governo estadual, estão sendo avaliadas algumas medidas que já foram inclusas no decreto da bandeira laranja publicado pela prefeitura de Curitiba do último sábado (13), como por exemplo o fechamento de shoppings centers apenas nos finais de semana.

Por enquanto, aquelas regras do decreto municipal permanecem em vigor – o que impediria o funcionamento das academias e limitaria as atividades de bares e restaurantes. No entanto, os empresários tiveram autorização de representantes da prefeitura para atuarem na última segunda-feira, o que criou confusão na cidade. Teoricamente, e segundo a SMS, as regras do decreto estão valendo. Na prática, diversas academias estão abertas. Por causa disso, o Ministério Público abriu procedimento e cobra justificativas para os recuos da prefeitura.

O QUE O GOVERNO DO PARANÁ DEVE COLOCAR NO NOVO DECRETO

Ratinho Junior e sua equipe avaliam adotar ações de outras cidades do Estado, como a proibição de consumo de bebidas alcoólicas nas ruas depois das 22 horas, medida aprovada em primeiro turno na Câmara de Cascavel ontem, e a entrada de crianças menores de 12 anos em mercados, ação já feitas pelas prefeituras de Londrina e de Toledo.

Além disso, a administração também trabalha no escalonamento de atividades comerciais e dos funcionários terceirizados. O reforço do distanciamento social e o isolamento dos idosos também fará parte do decreto.

Contudo, o principal problema de Curitiba, apontado por Greca e também avaliado por Ratinho, é o transporte público. Mesmo com escalonamento, a capital registra cerca de 280 mil passageiros por dia. O prefeito da capital aponta que a preocupação maior é em relação às linhas intermunicipais, já que existe um grande fluxo com a Região Metropolitana. Também por isso a reunião com os demais prefeitos e o governador hoje.

Ainda não se sabe o que fazer para controlar esse trânsito de pessoas e Ratinho Junior vem pregando cautela nas decisões.

“Temos que cadenciar as decisões para chegar ao final dessa maratona. Curitiba sozinha não vai suportar toda a demanda por conta da relação comercial dos municípios vizinhos com a capital. Temos um grande problema no transporte público, queremos diminuir a circulação nessa região”, diz ele, antes de completar com uma possível indicação sobre lockdown: “”Não adianta Curitiba fechar e os outros municípios não. Nossa missão é salvar o máximo de vidas”.

É POSSÍVEL O LOCKDOWN EM CURITIBA?

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Greca quer livrar Curitiba do lockdown.(Reprodução/Facebook)

O lockdown é uma possibilidade real, tanto no Paraná quanto em Curitiba. Porém, isso não deve acontecer neste decreto e nem nos próximos dias.

Caso a situação do coronavírus no Paraná se torne insustentável, o governo avalia o “lockdown regional“, ou seja, determinar o protocolo de acordo com as regiões do Estado que estejam com as situações mais críticas. Isso já foi admitido pelo próprio secretário da Saúde do Paraná, Beto Preto.

“Lockdown é bem agressivo e atinge todas as atividades. São 14 dias, não se faz lockdown de dois a três dias, então essa decisão tem de ser tomada com bastante sensibilidade para não afetar efetivamente a região e também cortar a possibilidade da transmissão”, disse o secretário à RPC no início dessa semana.

Ontem, também à RPC, a secretária de Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak, admitiu a possibilidade. “Estamos acompanhando diariamente. Se a população nos ajudar, vamos conseguir segurar o lockdown. Nesse momento, tudo é possível. Pode haver lockdown em Curitiba”, declarou.

Hoje, o movimento “Fechados pela Vida”, de empresários de Curitiba, lançou um abaixo-assinado, que já superou a marca de 3 mil pessoas- para que o lockdown seja decretado na capital. No entanto, a administração ainda faz apelos à população e acredita na conscientização para que a situação seja revertida.

Enquanto isso, a Secretaria de Estado da Saúde ainda trabalha para a ampliação de leitos. Hoje, o Paraná conta com 660 leitos de UTI (Unidades de Terapia Intensiva) e 1.126 leitos de enfermaria disponíveis para enfrentar a Covid-19.

Segundo o governo, isso deve ser ampliado com a ativação de novos leitos na macrorregião Leste – que abrange Curitiba e Região Metropolitana – principalmente no Hospital do Rocio, em Campo Largo.

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