Data da morte de Tatiane Spitzner marca atos contra feminicídio no PR

Fernando Garcel

Foto: Reprodução / Facebook

Há um ano, a advogada Tatiane Spitzner foi encontrada morta no apartamento em que morava na região central de Guarapuava. O então marido, Luiz Felipe Manvailer, foi flagrado por câmeras agredindo a vítima antes de entrar no prédio, no estacionamento, no elevador, e a queda do 4º andar. Depois, o suspeito busca o corpo, leva ao apartamento, limpa os vestígios de sangue no corredor e elevador e foge do local por uma saída alternativa do estacionamento.

Uma lei estadual transformou a data da morte da advogada no Dia de Combate ao Feminicídio no Paraná. Atos acontecem em Guarapuava, Curitiba, Ponta Grossa e em Maringá ao mesmo tempo.

A programação da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR) prevê panfletagem e divulgação dos serviços de atendimentos às mulheres em situação de violência. No Teatro Municipal de Guarapuava, a partir das 18h30, ocorre a abertura da exposição ‘Nem tão doce lar – uma vida sem violência: direito de mulheres e de homens’; o lançamento do Projeto Tatiane Spitzner; uma palestra com a jornalista Giulianne Kuiava: “O ciclo da violência doméstica e a importância da denúncia”; e uma mesa-redonda sobre o feminicídio.

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O CRIME

Nas alegações finais, o Ministério Público do Paraná pede que Manvailer seja levado a júri popular e que a prisão preventiva do réu seja mantida já que não houve modificação das circunstâncias que levaram a decretação da custódia. De acordo com a denúncia, Luis Felipe matou a esposa após diversas agressões físicas que teriam iniciado após um desentendimento ocorrido em virtude de mensagens em redes sociais, agindo por motivo fútil e desproporcional.

Câmeras flagraram agressões de Luis Felipe contra a esposa momento antes da morte de Tatiane

O réu foi interrogado em março deste ano, mas durante a audiência optou por permanecer em silêncio. Manvailer fez apenas uma breve declaração, negou que tenha matado a esposa e afirmou que a família da advogada influenciou algumas testemunhas.

Câmeras flagraram agressões de Luis Felipe contra a esposa momento antes da morte de Tatiane
Câmeras flagraram agressões de Luis Felipe contra a esposa momento antes da morte de Tatiane

A defesa do suspeito alega que Manvailer não teria força para jogar Tatiane do quarto andar e que testemunhas alteraram os depoimentos durante o processo. Os advogados também alegam quebra da cadeia de custódia no translado do corpo do Instituto Médico-Legal (IML) para a funerária e depois de volta para o IML. Nesse meio tempo, o corpo da vítima teria passado por um processo chamado de tanatopraxia, o que teria alterado as características do corpo.

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Manvailer foi denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe, uso de meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e condição do sexo feminino (feminicídio), além de cárcere privado e fraude processual. A juíza Paola Gonçalves Mancini de Lima, da 2ª Vara Criminal de Guarapuava, responsável pelo julgamento, retirou o crime de cárcere privado, mas, na última semana, encaminhou todos os recursos, tanto da defesa, quanto da acusação, para apreciação e decisão do Tribunal de Justiça do Paraná

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