De 14 obras de presídios no PR, uma está em andamento

Andreza Rossini


Repórter Rafael Neves, do Metro Curitiba

O governo do Paraná vem anunciando – e reitera – a promessa de abrir 7 mil novas vagas no sistema penitenciário com 14 reformas e construções de presídios até o final de 2018, mas por enquanto apenas uma dessas obras está em execução.

A Sesp (Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária), que conduz os projetos, sofre pressão das entidades policiais, que esperam a conclusão das cadeias para desafogar as celas de delegacias, que hoje abrigam quase 9,5 mil presos – cerca de um terço do total. “Nós temos absoluta certeza que não vão ficar prontas [estas 14 obras]”, dispara o presidente da Adepol (Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Paraná), João Ricardo Képes Noronha.

Procurada pelo Metro Jornal, a Sesp diz que duas obras terminarão até o final deste ano: a Cadeia Pública de Campo Mourão e o Centro de Integração de Piraquara, que criarão 598 vagas. Outras 2,4 mil vagas, segundo a previsão, serão abertas até a metade de 2018, e as 4 mil restantes até o final do ano que vem. “As únicas obras que estão mais longe no horizonte são quatro cadeias públicas [Londrina, Foz do Iguaçu, Guaíra e Ponta Grossa] que ainda não foram licitadas. Estas devem ser as últimas”, diz o Major Ivan Ricardo Fernandes, do setor de engenharia e arquitetura da Sesp.

A unidade de Campo Mourão é a única que saiu do papel, há pouco menos de dois meses, mas está “a pleno vapor”, segundo Fernandes. De acordo com o major, todas – exceto as quatro cadeias ainda não licitadas – estão em fase de reprogramação financeira da Caixa Econômica Federal, em tese a última etapa antes da retomada da obra.

O recurso para os novos presídios, de R$ 135 milhões, já está assegurado desde o início de 2016 e depositado em contas específicas para cada projeto, mas o fato de o dinheiro estar reservado não tranquiliza os policiais. “Nosso receio é que façam a mesma coisa que fizeram na Operação Quadro Negro. Ou seja, que era dinheiro carimbado para verba da educação, foi paga uma construtora, as escolas não foram construídas. Nosso receio em fazer essa denúncia é para que esse dinheiro não se perca”, ataca Noronha.

Os novos presídios

Construções e reformas têm prazo até o fim de 2018:

  •  Centro de Integração de Piraquara
  • Cadeia Pública jovens e adultos
  • PEP I
  • PEP II
  • Penitenciária Feminina do Paraná
  • Casa de Custódia de Piraquara
  • Cadeia Pública de Londrina
  • Cadeia Pública de Campo Mourão
  • Centro de Integração de Campo Mourão
  • Cadeia Pública de Guaíra
  • Cadeia Pública de Foz do Iguaçu
  • Penitenciária Estadual de Foz
  • Penitenciária Estadual de Cascavel
  • Cadeia Pública de Ponta Grossa

934 presos já fugiram de delegacias

Só em 2017, a Adepol já contabilizou 934 fugas de presos de celas de polícia, em geral mais inseguras e perto dos centros urbanos do que as penitenciárias.

O número representa quase 10% dos detidos que hoje ocupam as carceragens de polícia. Revoltada com o excesso de presos, a associação instalou em frente à sua sede, no bairro Mercês, um “fujômetro”, que contabiliza os detentos que escapam.

Com a esperada abertura de 7 mil vagas nos presídios, a Sesp pretende zerar o contingente de detentos nas delegacias, já que o restante do déficit (mais de 2 mil vagas) deverá ser resolvido pela expansão do uso da tornozeleira eletrônica, diz o governo.

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="445450" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]