Débito ou crédito? Denarc prende quadrilha que vendia drogas no cartão

Andreza Rossini e Assessoria

“Débito ou crédito, nós até parcela (sic)”. Parece, mas não é uma transação comercial comum. A conversa por telefone, interceptada com autorização judicial, revela mesmo a audácia de uma quadrilha de traficantes de drogas que agia em Curitiba e em Campina Grande do Sul, na região metropolitana, e vendia ecstasy, cocaína, maconha e crack usando uma máquina de cartão de crédito.

No último fim de semana, uma operação da Denarc (Divisão de Narcóticos), da Polícia Civil do Paraná, prendeu 12 pessoas desta organização criminosa.

O extrato da máquina mostrou parte do faturamento da quadrilha: nos últimos quatro meses foram vendidos R$ 16 mil em drogas só pelo cartão. Mas a polícia suspeita de que o lucro era bem maior. “Com comércio dos entorpecentes a quadrilha arrecadava por volta de R$ 2 mil por dia apenas com cocaína”, explicou a delegada da Denarc, Camila Ceconello, responsável pela ação policial.

A polícia divulgou um áudio telefônico entre uma traficante e uma usuária, afirmando sobre o pagamento das drogas no cartão de crédito.


A investigação que resultou na prisão desta organização criminosa durou três meses. Neste período, os policiais do Denarc descobriram dois locais de confecção de drogas sintéticas e cocaína, que eram vendidas no centro de Curitiba e também no bairro Batel, um dos mais nobres da capital paranaense.

A delegada da Denarc conta que nestes dois lugares foram encontrados prensa para confecção de tabletes de drogas, máquina para embalar o entorpecente, glicose, cafeína, pipetas, filtro, corante e pilão para maceração de comprimidos de ecstasy, além de outros insumos utilizados na mistura de cocaína. De acordo com a investigação, essas drogas eram vendidas em festas, bares e nas ruas do Centro de Curitiba.

Os policiais da Denarc filmaram a ação dos traficantes e usuários. Eles se posicionaram em ruas do bairro São Francisco e na Rua Nestor de Castro. Lá, observaram a ação dos traficantes.

Durante toda a investigação, a Denarc apreendeu 500 gramas de cocaína, 210 de crack, 4,5 quilos de maconha, 50 comprimidos de ecstasy, 2 quilos de produtos para mistura de cocaína, 47 munições de calibre 38, 2 revólveres de mesmo calibre, uma prensa para confeccionar tabletes de drogas, duas balanças de precisão e mais de R$ 5 mil em dinheiro.

“Normalmente estes traficantes estão de posse de pouca quantidade de droga, para que, numa possível abordagem da polícia, sejam confundidos com usuários. Mas o que observamos é uma frequente venda de entorpecentes. Eles vendem as drogas e já buscam mais para comercializar. Este vai e vem caracteriza o tráfico”, explica Ceconello. “A investigação mostrou que alguns dos presos revendiam drogas para microtraficantes”, completa.

A Denarc agora vai aprofundar as investigações para identificar outros traficantes e a origem das drogas. A operação contou com o apoio da Guarda Municipal de Curitiba e de Campina Grande do Sul. Os policiais cumpriram sete mandados de prisão e 10 de busca e apreensão expedidos pela Justiça.

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