Defesa de legista acusado de laudo falso diz que médico nunca atestou suicídio de Renata Muggiati

A defesa do médico legista Daniel Colman, que teria assinado um laudo falso sobre a morte da fisiculturista Renata Muggi..

Francielly Azevedo - CBN Curitiba - 24 de maio de 2018, 20:21

Foto: Reprodução
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A defesa do médico legista Daniel Colman, que teria assinado um laudo falso sobre a morte da fisiculturista Renata Muggiati, em setembro de 2015, afirmou que o médico nunca teve vínculo com a família Muggiatti ou com a família de Raphael Suss Marques, acusado pela morte da musa fitness.

Segundo a defesa, no dia 12 de setembro de 2015, data em que o corpo de Renata deu entrada no Instituto Médico Legal de Curitiba, Colman, pela falta de médicos legistas na instituição, cobriu um buraco na escala. O advogado dele, Omar Elias, contou que o médico atendeu todos os casos que chegaram ao IML naquela noite, fazendo mais de cinco atendimentos, como em qualquer dia normal de trabalho. Sem comoção ou qualquer informação da possível repercussão que o caso Muggiati teria.

“A Renata Muggiati era mais uma entre tantos corpos que chegam lá diariamente”.

O advogado ainda destaca que a informação de que o laudo emitido por Colman afirma que Renata se suicidou, é falsa. Já que o médico legista é responsável por determinar a causa médica da morte e não a circunstância. O que naquela noite, em exame preliminar sem investigação, seria o esmagamento de cabeça por queda de local elevado. Mas que em momento algum ele falou em suicídio.

“Médico legista não tem autonomia para dizer qual foi a circunstância da morte. Isso, só quem dá é perito criminal, avaliando laudo de necropsia, o local, como ela caiu, o conjunto de provas. Ao final, a autoridade policial é que vai concluir se é suicídio, homicídio, ou qualquer outra coisa”.

Na última semana, o Secretário de Segurança Pública do Paraná, Julio Reis, acolheu o Relatório Conclusivo da Comissão de Processo Administrativo Disciplina que pede a demissão do perito do IML. Na decisão, o secretário aponta que o médico-legista emitiu Laudo de Necropsia, cuja conclusão apresenta falsa relação à ‘causa mortis’ da vítima. A decisão foi encaminha à governadora Cida Borghetti.

“Está na mão da governadora para ela dar a palavra final. Espero que ela olhe com carinho esse processo e não cometa essa injustiça”, disse o advogado.

Daniel Colman já está afastado das funções desde que a delegada Aline Manzatto, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil, afirmou, em depoimento no dia 12 de abril, que o primeiro laudo da perícia envolvendo a morte da fisiculturista e assinado por ele, era falso. Caso Colman seja realmente exonerado, a defesa deve entrar na Justiça contra o Estado.