Delatores do esquema de corrupção no PAC e SUS vão devolver R$ 4,4 milhões à Foz do Iguaçu

Fernando Garcel


Quatro empresários que confessaram ter pago propina no esquema investigado na operação Pecúlio, que apura fraudes em obras da prefeitura de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, com recursos federais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Sistema Único de Saúde (SUS), devolverão R$ 4,48 milhões aos cofres públicos. Como garantia, os delatores deram um imóvel no oeste.

O acordo de delação premiada dos quatro, ligados à empresa Terraplenagem SR, foi feito antes da denúncia do Ministério Público Federal (MPF), no final de junho, e dá aos réus um prazo de três anos para ressarcir o dinheiro público.

Os empresários deram como garantia um imóvel rural da SR Terraplenagem em São Miguel do Iguaçu, também no Oeste, avaliado em R$ 5,12 milhões.

Um deles, Nilton Beckers, disse em delação ter pago propina diretamente ao prefeito de Foz, Reni Pereira (PSB). Pereira nega os crimes e se defende no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, por ter foro privilegiado, já em segunda instância. Ele é acusado de ter desviado R$ 5 milhões através de contratos fraudulentos da prefeitura municipal e chegou a cumprir mandado de condução coercitiva, quando é obrigado a prestar depoimento e, em seguida, foram apreendidos R$ 120 mil em espécie na casa dele. Reni negou participação no esquema e afirmou que o dinheiro é resultado de uma indenização judicial.

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Beckers e outros três empresários — Fernando Bijari, Edson Dutra e Vilson Sperfeld — indicaram que houve propinas em obras do PAC e contratos do SUS, razão pela qual os crimes são apurados na Justiça Federal. Ao todo, há 85 réus no processo.

Paralelamente, uma Comissão Própria de Investigação (CPI) na Câmara de Vereadores de Foz toma depoimentos de investigados. Cinco vereadores e vários funcionários públicos também são suspeitos de receberem propinas.

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