Delegado investigado pelo Gaeco afirma que operação é injusta

Matheus Laiola é pré-candidato a deputado federal pelo Paraná. Ele é um dos dos investigados por cobrança de propina em 2019.

Johan Gaissler - 19 de julho de 2022, 13:32

(Foto: Reprodução/Instagram)
(Foto: Reprodução/Instagram)

O delegado Matheus Laiola (União Brasil), pré-candidato a deputado federal pelo Paraná, afirmou que a operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial ao Combate ao Crime Organizado) é "injusta". Ele é um dos investigados por cobrança de propina enquanto chefiava a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente de Curitiba, em 2019.

Laiola disse que foi surpreendido na manhã desta terça-feira (19), quando foi um dos alvos dos mandados de busca e apreensão pelo MP-PR (Ministério Público do Paraná).

"Muito me surpreende uma investigação iniciada em 2019, mediante denúncia anônima, e só agora, que sou pré-candidato a deputado federal, ocorre isso [ser alvo de busca e apreensão]. Poderia e deveria ter acontecido isso há muito tempo", afirmou o delegado investigado pelo Gaeco por cobrança de propina.

Matheus Laiola diz estar "tranquilo e sereno" com relação aos desdobramentos da operação do MP-PR. "Reforço que confio plenamente na Justiça, no entanto, não iremos ficar calados diante de tal denúncia que partiu de pessoas maldosas e que nada fizeram pelo bem da comunidade", disparou o delegado, em vídeo publicado no Instagram.

O profissional se apresenta nas redes sociais como defensor dos animais e da causa animal e estava lotado na DPMA da capital paranaense desde fevereiro de 2019.

Matheus Laiola está afastado da chefia da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente de Curitiba por conta da pré-candidatura ao Legislativo nas eleições de outubro deste ano.

OPERAÇÃO DO GAECO POR COBRANÇA DE PROPINA EM DELEGACIA DE CURITIBA

A Operação Mônaco 2, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial ao Combate ao Crime Organizado), foi deflagrada nesta terça-feira (19). São investigados ex-agentes da DPMA (Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente de Curitiba) pelo crime de concussão, com a cobrança de propina em 2019.

A ação ocorre em conjunto com a Corregedoria da Polícia Civil e cumpriu quatro mandados de busca e apreensão. As ordens judiciais foram expedidas pela 4ª Vara Criminal de Curitiba e foram cumpridas nas casas dos ex-policiais da unidade.

Entre os investigados estão o então delegado-chefe, lotado na unidade em fevereiro de 2019, e três investigadores ligados à Delegacia na época – dois deles já se aposentaram, e o terceiro está atualmente em outra delegacia, conforme o MP. Um quarto investigador já tinha sido alvo de mandado de busca na primeira fase da operação, ano passado.

Foram apreendidos R$ 29 mil e US$ 1 mil em espécie, uma arma de fogo, 16 celulares, documentos e equipamentos eletrônicos durante o cumprimento dos mandados, ainda de acordo com o MP.

Os fatos investigados ocorreram em fevereiro de 2019. As investigações do Gaeco apuram possível crime de concussão, crime praticado pelo servidor público que usa de sua função para exigir vantagem indevida.

"Essa situação veio até o Gaeco por meio de denúncia que afirmava que na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente pediam dinheiro para não cumprir a função de fiscalização de empresas. No caso específico, nós apuramos que um proprietário de uma rede de postos acabou sendo envolvido, sendo lhe exigido o pagamento de propina", explicou o procurador de justiça Leonir Batisti.

A pretexto de haver irregularidades em um dos postos de combustíveis de uma rede, o grupo teria apreendido um funcionário do posto, encaminhando-o à Delegacia, onde o teriam retido por cerca de seis horas numa sala, exigindo inicialmente R$ 50 mil para liberá-lo – quantia depois diminuída para R$ 10 mil e que teria sido paga em dinheiro pelo dono do posto ao grupo de policiais para o funcionário ser liberado.

"Em face dessa extorsão, que tecnicamente é chamada de concussão, o proprietário do posto acabou pagando dos R$ 50 mil exigidos R$ 10 mil de propina. Temos vários outros elementos, dentre os quais a existência de uma notificação, nunca formalizada em qualquer lugar", completou Batisti.

Na primeira fase da Operação Mônaco, em julho de 2021, o Gaeco cumpriu dez mandados de busca e apreensão em Curitiba, São José dos Pinhais e Tijucas do Sul. Na oportunidade, os mandados foram cumpridos na sede da DP, nas residências dos investigados e em cinco postos de combustíveis.