Divórcio pode ter motivado delegado a matar mulher e enteada em Curitiba

Mirian Villa

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Em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (5), a delegada Camila Cecconello da DHPP (Divisão de Homicídio e Proteção à Pessoa) afirmou que o delegado Erik Busetti permaneceu calado durante depoimento. Orientado pelo advogado Cláudio Dalledone Júnior, o policial civil irá apresentar sua versão dos fatos somente em juízo.

Ele foi preso em flagrante pelo crime de duplo feminicídio e foi encaminhado para o COPE (Centro de Operações Policiais Especiais), onde irá aguardar uma vaga no sistema prisional.

DIVÓRCIO PODE TER MOTIVADO DUPLO FEMINICÍDIO

Segundo Cecconello, o delegado e Maritza Guimarães de Souza -que estavam junto há, aproximadamente, 10 anos- tinham dado entrada no processo de divórcio e isso pode ter motivado o crime. “Uma discussão perdurou o dia todo e culminou no duplo feminicídio. A princípio, são nove disparos entre a mulher e a enteada.”

Erick Busatto não confessou o crime para à PCPR (Polícia Civil do Paraná), porém, para a PMPR (Polícia Militar do Paraná) o delegado confessou os assassinatos.

“Após o delegado efetuar os disparos, ele teria imediatamente pegado a filha menor -que estava dormindo-, levado até uma vizinha e pedido para a mulher ligar para a polícia. A PM foi a primeira a chegar no local e o suspeito já estava esperando com a arma no chão e ele prontamente se entregou”, completou Camila Cecconello.

Durante a tentativa de depoimento, Erik Busetti demonstrou arrependimento para à delegada e chorou bastante. Sobre as primeiras informações de mãe e filha terem morrido abraçadas, a delegada que investiga o caso confirmou a versão, dizendo que a mãe estava por cima da filha. Porém, afirmou que é difícil dizer porque os corpos estavam dessa maneira.

O delegado e corregedor da PCPR, Marcelo Lemes, afirmou que o histórico do preso é disciplinar e não consta nenhuma punição. Porém, seu nome está envolvido em dois processos: o primeiro é de 2009, em Foz do Iguaçu, na região oeste do Paraná.

É um caso de irregularidade, que foi arquivado em 2014. Outro processo, que ainda é objeto de apuração, aconteceu em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, quando Busetti prendeu um escrivão da delegacia.

“É um crime que sensibilizou internamente à polícia, mas estamos num nível de maturação que a resposta à sociedade será dada com rigor porque o crime foi grave”, disse Lemes.

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Crime chocou moradores da região norte de Curitiba (Reprodução/Band TV Curitiba)

DELEGADO MATA MULHER E ENTEADA EM CURITIBA

O caso aconteceu por volta das 23h30 em um condomínio no bairro Atuba, em Curitiba. Maritza Guimarães de Souza, de 41 anos, e sua filha, Ana Carolina de Souza, de 16 anos, morreram antes da chegada do Corpo de Bombeiros. Após os disparos, o delegado pegou a filha do casal, de nove anos, e levou até uma vizinha. Em seguida, pediu para a conhecida ligar para à Polícia Militar.

O Conselho Tutelar foi chamado até o local para conversar com a criança. Em seguida, ela foi entregue para parentes. Os corpos de mãe e filha foram recolhidos pelo IML (Instituto Médico Legal) de Curitiba na madrugada de hoje. Maritza era escrivã da Polícia Civil e Busatti estava lotado na Delegacia do Adolescente.

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