Depoimento de Carli Filho encerrará primeiro dia de julgamento

Roger Pereira


O juiz Daniel Surdi de Avelar já avisou à promotoria e aos advogados de defesa que encerrará os trabalhos desta terça-feira, no julgamento do ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho com a oitiva do réu, deixando para quarta-feira o debate entre defesa e acusação e a deliberação dos jurados, com a sentença do ex-deputado.

Às 19h50 desta terça-feira, a sessão foi suspensa para que os jurados pudessem jantar. No retorno, como a acusação dispensou a sétima testemunha, o perito Walter Kauffmann, a sessão deverá ser reiniciada com a oitiva do réu, que deixou a sala de audiência, por volta das 18h45, quando o perito, contratado pela defesa, sustentou a tese de que a vítima Gilmar Rafael Yared não poderia ter sido decapitada pelo carro do ex-deputado, conforme os indícios encontrados em perícia após o acidente.

A argumentação do perito irritou a promotoria e a família da vítima. “Eles estão querendo responsabilizar meu filho pelo acidente. Estão dizendo que ele se suicidou. A dor de uma tragédia é grande, mas se supera em um ou dois anos. A nossa já dura nove anos e, hoje, estamos sendo submetidos e a isso. Esperamos que a sentença, amanhã, coloque um fim nesse sofrimento”, disse o pai de Gilmar Rafael, Gilmar Yared.

“A testemunha fez o que se propôs a fazer desde o início. Não é um perito, é um assistente técnico da defesa, contratado para vir dizer o que disse. A decapitação da vítima é inegável e isso só poderia acontecer pelo fato de a vítima ter sido atingida pela parte superior. Ele questiona o fato de uma vítima ter sido decapitada e a outra não, mas ignora a diferença de altura entre elas”, disse o promotor Marcelo Balzer Correia, que sequer questionou a testemunha sobre o fato. “Ele não é perito criminal, não esteve na cena do crime. No momento oportuno, esclareceremos isso aos jurados”, disse.

O promotor não tem muitas expectativas para o momento da oitiva do réu. “Vamos ouvi-lo, saber o que ele tem, para apresentar para todos nós da sociedade alguma justificativa plausível para aquela velocidade empregada naquela via pública. É só o que queremos saber, aonde ele ia com tanta pressa”.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal