Deputados querem permitir manejo de araucária. Especialista alerta para risco de extinção

Roger Pereira e Francielly Azevedo - CBN Curitiba


Um projeto que estabelece regras para utilização sustentável e compensação pela preservação da mata de araucárias no Paraná foi aprovado em primeira discussão na Assembleia Legislativa do Paraná, gerando preocupação e entidades ligadas à preservação da natureza. A professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialista em preservação em conservação da natureza, Márcia Marques, lembra que a araucária é uma espécie em extinção e que autorizar seu manejo, mesmo que “de forma sustentável”, é um risco ao ecossistema.

Segundo a proposta, o manejo sustentável, que é um modelo que permite a exploração das árvores com técnicas de mínimo impacto ambiental, será autorizado quando se tratar de espécies ou formações situadas em pequenas e médias propriedades que possuírem provas de terem sido plantadas pelo proprietário atual. O proprietário terá que apresentar declaração de fé pública e reconhecimento por técnico competente efetuado em laudo, ou ainda uma documentação fotográfica que possa comprovar o fato.

“Com que será feia essa fiscalização? Como será possível reconhecer se uma árvore foi plantada ou é remanescente de floresta natural? Como ter esse controle?”, questiona a professora.

As florestas originalmente ocupavam 200.000 km², estando presente em 49,8% do território do Paraná, 30% em Santa Catarina e 25% do Rio Grande do Sul. Atualmente, o Paraná tem apenas 0,8% de floresta de araucária original conservada. Por isso, é que o manejo sustentável da espécie preocupa a professora.

“A compensação pela preservação pode ser algo interessante: pagar para o produtor que mantiver suas árvores em pé. Agora o uso sustentável deve ser visto com bastante cautela”.

A proposta também prevê que os proprietários rurais que cultivarem espécies ou pinheirais imunes de corte e mantiverem as formações de Mata de Araucárias, serão beneficiados com compensações financeiras, por meio de pagamento pela prestação de serviços ambientais.

“Essa palavra sustentável é colocada de uma forma para flexibilizar o uso de uma espécie que é uma espécie ameaçada de extinção. Sustentável significa que as populações vão ser mantidas. Usar essa palavra: manejo sustentável dá brecha para que se use a espécie. E estamos falando de uma espécie criticamente ameaçada de extinção”, reforça Marques.

A especialista finaliza destacando a importância da preservação da araucária, que é uma árvore típica do Paraná. “Perder araucária, além de interferir em todo um ciclo de alimentos dentro dos ecossistemas naturais, nos faz perder grande parte da diversidade dessas áreas florestais”.

O projeto deve passar pela segunda discussão na próxima segunda-feira (3), na sessão plenária, marcada para às 14h30, na Assembleia Legislativa.

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Repórter do Paraná Portal
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