Até diabetes é desculpa para fugir de multas no trânsito

Mariana Ohde


Com Rosângela Gris, Metro Maringá

Na hora de tentar escapar de uma multa de trânsito, o que não falta aos motoristas maringaenses é criatividade. Os agentes da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) de Maringá que o digam.

“Teve uma situação em que o motorista passou falando ao celular, mas ao perceber que a placa do veículo havia sido anotada, fez a volta e disse ao agente de trânsito que ele havia confundido o celular com um aparelho de medir glicemia. Ele alegou que era diabético e estava um pouco tonto, por isso estava verificando a glicemia enquanto dirigia. Mas se estava passando mal não deveria nem estar dirigindo”, conta o agente de trânsito Paulo Henrique Fragoni.

Há seis anos e meio fiscalizando as ruas da cidade, o agente Fábio Henrique Carrião também coleciona inúmeras ‘desculpas’ de motoristas flagrados falando ao celular. “Na semana passada visualizamos um taxista falando ao celular no cruzamento das avenidas São Paulo e Tiradentes. Fizemos o acompanhamento até o cruzamento da São Paulo com a Horácio Raccanello, que foi onde conseguimos abordá-lo. Ele alegou que estava ao telefone porque a esposa grávida estava passando mal”.

Em outra situação, foi a própria gestante quem usou a gravidez desta vez como desculpa para explicar a ausência do cinto de segurança. “Expliquei que o fato de estar grávida não há liberava da obrigatoriedade do equipamento de segurança”, lembra Fragoni.

As principais desculpas dadas pelos brasileiros infratores no trânsito foram coletadas pela Arteris, uma administradora de rodovias com mais de 3.250 km em operação nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná.

O estudo mostra, por exemplo, que 51,9% dos motoristas brasileiros usam o celular enquanto dirigem. Já 91,1% afirmam fazer uso do cinto de segurança, embora a ausência do equipamento esteja entre os flagrantes mais comuns nas ruas da cidade. Outra infração bastante comum é estacionar em vagas irregulares.

“Um motorista estava estacionado na vaga da ambulância e quando avistou o giroflex deu seta e saiu. Ele então deu a volta na quadra e voltou na mesma vaga. Foi multado, claro”, recorda Wesley Cirino, servidor da Semob.

Os agentes de trânsito calculam que cerca de 1% dos condutores flagrados cometendo alguma irregularidade admite que errou e pede desculpas. Os demais tentam de todas as formas escapar. O que tem chance quase zero de dar certo, já que uma vez lançada a autuação, resta ao motorista apenas o recurso legal.

Principais desculpas

Segundo o levantamento da Arteris, a maioria dos motoristas (51,9%) usa o celular enquanto dirige. As principais desculpas são o uso de aplicativos (37,7%) e as ligações importantes ou urgentes (36,1%).

91,1% dos condutores brasileiros usam o cinto de segurança. Entre os que admitiram nem sempre usar ou exigir que passageiros do veículo usem, as principais desculpas são a falta de atenção (35,5%), a transferência da responsabilidade pelo emprego do dispositivo para os passageiros (15,5%) e os trajetos curtos (12,8%).

Em relação ao consumo de álcool antes de dirigir, 25,6% dos condutores brasileiros afirmaram dirigir, ainda que raramente, após beber. Entre eles, 25,6% disseram que conduziram o veículo porque estavam sozinhos ou porque eram a única pessoa que poderia dirigir naquele momento. 20,9% acreditam que a quantidade ingerida não altera sua condição de dirigir e 13,9% usaram como desculpa os trajetos curtos.

Outra infração recorrente, o excesso de velocidade é praticado por 40,7% dos motoristas. Para eles, as desculpas mais comuns são a pressa (28,7%), limites de velocidade baixos (13,4%) e a falta de atenção (11,3%).

Desculpas

Previous ArticleNext Article
Repórter no Paraná Portal
[post_explorer post_id="460563" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]