Desmatamento da Mata Atlântica cresce 74 % no Paraná

Narley Resende


O desmatamento da Mata Atlântica no Paraná cresceu 74 % em 2016. O Estado é o terceiro do País com maior aumento. No ano passado, o Paraná perdeu em torno de três mil e quinhentos campos de futebol em área desse bioma.

Enquanto foram desmatados 1.988 hectares entre 2014 e 2015, nos anos seguintes, entre 2015 e 2016, o número subiu para 3.545 hectares de área de Mata Atlântica que deixou de existir. Este foi o segundo ano seguido de crescimento do desmate no Paraná. O número foi apresentado hoje (segunda-feira, 29) pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto de Pesquisas Espaciais, o Inpe.

Segundo o relatório, a destruição está concentrada na região das araucárias, espécie ameaçada de extinção, com apenas 3% de florestas remanescentes.

Na frente do Paraná estão apenas Bahia e Minas Gerais. No período mais recente, a Bahia foi o estado onde houve mais desmatamento, com 12.288 hectares desmatados, 207% a mais que no período anterior.

Em todo o Brasil, o desmatamento na Mata Atlântica cresceu 57,7% em um ano, entre 2015 e 2016, quando o bioma perdeu 29.075 hectares, o equivalente a mais de 29 mil campos de futebol.

De acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica, o desmatamento registrado no ano passado é o maior dos últimos 10 anos.

A área, que se espalha por 17 estados, não registrava um desmatamento de proporção tão grande desde 2005.

Segundo o diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, a situação é gravíssima e indica uma reversão na tendência de queda do desmatamento registrada nos últimos anos.

“O setor produtivo voltou a avançar sobre nossas florestas, não só na Mata Atlântica, mas em todos os biomas, após as alterações realizadas no Código Florestal e o subsequente desmonte da legislação ambiental brasileira. Pode ser o início de uma nova fase de crescimento do desmatamento, o que não podemos aceitar.”

De acordo com Marcia Hirota, diretora-executiva da SOS Mata Atlântica, há 10 anos não era registrado um desmatamento nessas proporções.

“O que mais impressionou foi o enorme aumento no desmatamento no último período. Tivemos um retrocesso muito grande, com índices comparáveis aos de 2005”, disse.

De 2005 a 2008 a destruição foi de 102.938 ha, ou seja, média anual de 34.313 ha.

A Bahia liderou o desmatamento, com supressão de 12.288 ha de mata – alta de 207% em relação ao ano anterior, quando foram destruídos 3.997 ha. Dois municípios baianos – Santa Cruz Cabrália e Belmonte – foram os maiores desmatadores, com supressão de 3.058 ha e 2.119 ha, respectivamente.

O segundo estado que mais desmatou foi Minas Gerais, com 7.410 ha, seguido por Paraná (3.453 ha) e Piauí (3.125 ha). Em Minas, os principais pontos de desmatamento ficaram nos municípios de Águas Vermelhas (753 ha), São João do Paraíso (573 ha) e Jequitinhonha (450 ha), região reconhecida pelos processos de destruição da Mata Atlântica para produção de carvão ou pela conversão da floresta por plantios de eucalipto.

Minas Gerais, aliás, liderou o ranking do desmatamento em sete das últimas nove edições do Atlas da Mata Atlântica, sempre com municípios dessa região figurando na lista dos maiores desmatadores.

Só 5 têm desmatamento zero

Apesar do compromisso assinado em 2015 pelos 15 secretários do Meio Ambiente dos estados da Mata Atlântica, de zerar o desmatamento até 2018, este último levantamento aponta que só cinco cumpriram a meta até agora.

Aparecem com menos de 100 hectares de supressão da mata (incluindo florestas, mangues e restingas) os estados do Rio Grande do Norte, Alagoas, Paraí- ba, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Estiveram já no desmatamento zero, mas agora saíram, os estados de Goiás, Ceará e São Paulo.

O caso de São Paulo, entretanto, tem mais a ver com fenômenos naturais que com a ação humana. “Apesar do grande aumento do desmatamento em São Paulo, é importante destacar que 90% ocorreu por causas naturais, mais especificamente vendavais e tornados que atingiram os municípios de Jarinu, Atibaia, Mairinque, São Roque e Embu-Guaçu em 5 de junho do ano passado”, esclareceu Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo Inpe.

Com informações do Metro Jornal Curitiba e SOS Mata Atlântica

Desmatamento

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="434239" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]