Condenado a 49 anos é preso em escritório de advocacia de Curitiba

Lucian Pichetti - CBN Curitiba


Um homem condenado a mais de 49 anos de prisão foi preso na manhã desta segunda-feira (25), em Curitiba, por policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (COPE).

Marcelo Maximiliano, de 42 anos, conhecido pelo apelido de Dunga, tinha mandado de prisão em aberto pelos crimes de estelionato, homicídio, roubo e corrupção passiva. Além disso ele é suspeito de participar do roubo de 12 caminhonetes de luxo.

O crime, que contou com o apoio de outras 15 pessoas, foi no dia 21 de dezembro de 2018. Os veículos eram desembarcados do caminhão cegonha em uma concessionária de São José dos Pinhais, quando os funcionários foram rendidos e os carros levados.

De acordo com o delegado-titular do COPE, Rodrigo Brown, os veículos seriam utilizados para um novo arrebatamento presos na Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP). As investigações começaram após o primeiro arrebatamento, ocorrido em setembro do ano passado.

“Foi explodido o muro e vários detentos fugiram. Nós conseguimos elucidar o crime, prendemos as lideranças e removemos para presídios federais. No dia 21 de dezembro, tivemos um roubo a uma concessionária da Região Metropolitana Curitiba, quando mais de dez veículos de alto luxo foram roubados. Tudo no padrão para explosão de caixa eletrônico, ataque à carro-forte e arrebatamento de presídio”, relata.

A polícia chegou até Marcelo a partir de imagens que mostram o suspeito em um posto de combustíveis, com uma das caminhonetes roubadas.

“Logo após as caminhonetes serem roubadas, uma viatura da Guarda Municipal acabou localizando, em um posto de gasolina, um dos veículos que tinha acabado de ser levada e que já estava com uma placa dublada. Conseguimos imagens do circuito interno para saber as pessoas que pararam o veículo ali e conseguimos identificar o suspeito que foi detido”.

Dunga foi preso em um escritório de advocacia, no bairro Alto da Glória, em Curitiba onde, mesmo condenado, trabalhava normalmente. De acordo com a polícia, ele era estagiário de direito. Os advogados do local são conhecidos por defender criminosos faccionados.

De acordo com Rodrigo Brown, no escritório o suspeito tinha acesso a processos e informações internas do Poder Judiciário. Com esses dados tentava estar sempre um passo à frente da polícia.

“O que chama a atenção é o fato desse pessoal das organizações criminosas procurarem infiltrar profissionais em ramos da segurança pública. Infelizmente temos maus profissionais em várias áreas e agora passamos a investigar o que esse cidadão fazia trabalhando em um escritório, com pleno conhecimento das pessoas que prestavam serviço lá. Consequentemente, uma pessoa má intencionada certamente terá informações privilegiadas que levarão a colaborar com o crime”, avalia.

No escritório foi encontrado um celular com fotos de policiais civis do COPE.

“A advogada que trabalha nesse escritório atendeu um preso no ano passado. Ao fazer a extração de dados do telefone, nos deparamos com a foto dos policiais do COPE e com orientações para quem fossem passadas aos comparsas para que os advogados coletassem imagens no sistema da Justiça, informações sobre as placas dos veículos descaracterizados e recolhessem o lixo da unidade, finaliza Brown.

Segundo Brown, os advogados tinham conhecimento de que Maximiliano era foragido e também terão a conduta investigada. Entre os 18 presos na operação do ano passado, um deles também é cliente deste escritório.

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