Suicídio: reitor da UFSC que havia sido preso é encontrado morto

Narley Resende


O reitor Luiz Carlos Cancellier, afastado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foi encontrado morto na manhã desta segunda-feira (2) no Shopping Beiramar, em Florianópolis (SC). A polícia suspeita de suicídio.

Em nota à imprensa, a assessoria do shopping informou que por volta das 10h30 um homem cometeu suicídio, se jogando da escada do piso L4 e caindo no vão central. A identidade de Cancellier foi confirmada pelo Corpo de Bombeiros.

Cancellier e outros seis investigados na Operação Ouvidos Moucos, da Polícia Federal, foram presos no dia 14 de setembro e soltos no dia seguinte. A operação apura desvio de dinheiro de programas de Educação a Distância (EaD) oferecidos pelo programa Universidade Aberta no Brasil (UAB) na UFSC.

No último sábado (30), 1ª Vara Federal de Florianópolis havia autorizado Cancellier a entrar no Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) do campus da capital em 5 de outubro para participar de uma sessão pública. Ele estava afastado da instituição por determinação judicial.

Humilhação

Conforme o jornal Notícias do Dia, um artigo do reitor foi publicado na última quinta-feira, pelo jornal “O Globo”, do Rio. Nele, Cancellier expressa que “a humilhação e o vexame” a que foram submetidos “não tem precedentes na história da instituição”. Reclamou de ter a vida “devassada” e a “honra associada a uma ‘quadrilha’”. Em pelo menos dois momentos, destacou a qualidade da UFSC.

Cancellier resgatou sua trajetória acadêmica e defendeu como característica o “princípio da mediação”. Assim, diz que “ser conduzido nas condições em que ocorreu” deixou-o “perplexo e amedrontado”. O reitor alertou para a “fragilidade das acusações” contra ele e é taxativo: “não adotamos qualquer atitude para abafar ou obstruir a apuração da denúncia”.

Encerra citando a UFSC como responsável por “quase 100% do aprimoramento e do desenvolvimento” catarinense, classificando a instituição como “muito mais forte do que qualquer outro acontecimento”.

Em nota, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) destacou a “absoluta indignação e inconformismo com o modo como foi tratado por autoridades públicas o Reitor Cancellier, ante um processo de apuração de atos administrativos, ainda em andamento e sem juízo formado”. Leia na íntegra:

“A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), profundamente consternada, comunica o trágico falecimento do Prof. Dr. Luiz Carlos Cancellier, Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, ocorrido na manhã desta segunda-feira. O sentimento de pesar compartilhado por todos/as os/as reitores/as das universidades públicas federais, neste momento, é acompanhado de absoluta indignação e inconformismo com o modo como foi tratado por autoridades públicas o Reitor Cancellier, ante um processo de apuração de atos administrativos, ainda em andamento e sem juízo formado. É inaceitável que pessoas de bem, investidas de responsabilidades públicas de enorme repercussão social tenham a sua honra destroçada em razão da atuação desmedida do aparato estatal. É inadmissível que o país continue tolerando práticas de um Estado policial, em que os direitos mais fundamentais dos cidadãos são postos de lado em nome de um moralismo espetacular. É igualmente intolerável a campanha que os adversários das universidades públicas brasileiras hoje travam, desqualificando suas realizações e seus gestores, como justificativa para suprimir o direito dos cidadãos à educação pública e gratuita. Infelizmente, todos esses fatos se juntam na tragédia que hoje temos que enfrentar com a perda de um dirigente que por muitos anos serviu à causa pública. A ANDIFES manifesta a sua solidariedade aos familiares e amigos do Reitor Cancellier e continuará lutando pelo respeito devido às universidades públicas federais, patrimônio de toda a sociedade brasileira

Brasília, 02 de outubro de 2017″

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