Dilma se solidariza por estudante haitiano agredido em Foz do Iguaçu

Andreza Rossini


A presidente Dilma Rousseff postou uma nota na rede social Facebook, na noite de segunda-feira (16), comentando sobre o caso do estudante haitiano que foi agredido por um grupo de racistas em Foz do Iguaçu, no último sábado (14).

Na ocasião, os agressores afirmaram ao rapaz que a imigração era “culpa” de Dilma e que, agora que ela foi afastada, ele deveria deixar o país. “O estudante é mais uma vítima do racismo, da xenofobia e da intolerância política que devemos combater diuturnamente. Não podemos permitir que o Brasil se torne um país de ódio e intolerância”, afirmou a presidente nas redes sociais.

DILMA

O caso

O homem, de 33 anos,  caminhava ao ponto de moto táxi para ir até a rodoviária do município, onde embarcaria sentido Cascavel, também no oeste, às 6 horas. Segundo informações do site mídia ninja, ele iria passar o final de semana com seu filho de oito meses.

Os agressores estavam sentados em uma mesa de bar, na Avenida Brasil, quando gritaram:  “Macaco, você só está aqui por causa da Dilma, mas agora você vai ter que voltar”. O haitiano não teria reagido e teria tentado conversar com o grupo, que o agrediu com golpes de garrafas. Os agressores teriam continuado com os golpes, mesmo quando o homem já estava caído no chão.

Quando conseguiu correr, um taxista prestou os primeiros socorros e encaminhou o homem ao Pronto Atendimento da cidade. O haitiano é estudante de Administração Pública e Políticas Públicas, na Universidade Federal da Integração Latioamericana.

A Polícia Militar afirmou que não foi acionada para atender a ocorrência. A Polícia Civil informou que o estudante confirmou as informações em depoimento prestado na segunda-feira (16), na delegacia da cidade. Um inquérito será aberto para investigar o caso.

Unila

A Unila divulgou uma nota de repúdio ao caso e afirmou que reuniu um grupo formado pelas pró-reitorias de Assuntos Estudantis, de Relações Institucionais e Internacionais, de Graduação, de Extensão e pela Secretaria de Comunicação Social para tratar o assunto e tomar as providências necessárias para dar assistência aos estudantes haitianos.

Veja:

Diante deste fato, a UNILA vem a público manifestar seu repúdio a quaisquer ações de violência e informa que está apoiando o estudante com acompanhamento médico, psicológico e de assistência social. Além disso, o estudante recebeu orientações sobre o resguardo de seus direitos, a exemplo de registro de boletim de ocorrência e de colaboração na investigação policial.

Um ato como este, que é um crime, sensibiliza toda a comunidade universitária, composta por estudantes da região, de diversos estados e de outros 16 países da América Latina e Caribenha. A diversidade da UNILA também está presente na origem de seus professores e técnico-administrativos em educação.

Ações

A Reitoria da UNILA reuniu, nesta manhã (16), um grupo formado pelas pró-reitorias de Assuntos Estudantis, de Relações Institucionais e Internacionais, de Graduação, de Extensão e pela Secretaria de Comunicação Social para tratar o assunto e tomar as providências cabíveis, dando especial assistência aos estudantes haitianos neste momento.

A proposta é de participação coletiva, de forma intensa, nas atividades internas que estão sendo mobilizadas pela comunidade acadêmica, com atuação em grupos de debate, rodas de conversa e, também, atividades referentes às homenagens ao Haiti, no dia 18 de maio, data em que é comemorada a Bandeira Haitiana, momento que remete às conquistas anticolonialistas, antiescravagistas e antirracistas.

Vários professores da Universidade, estudiosos sobre questões de racismo e xenofobia, trarão à tona o assunto em eventos acadêmicos e em matérias que serão publicadas no site institucional e disponibilizadas nos meios de comunicação. Demais manifestações sobre o lamentável episódio estão sendo publicadas por ações individuais e coletivas nas mídias sociais. Foz do Iguaçu, que é uma cidade que se orgulha de receber grupos de diversas etnias e culturas, não merece um ato desta natureza.

A UNILA reafirma, ainda, seu compromisso público de promover uma sociedade mais justa, democrática, humana e diversa.

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