Diretor do IML afirma que translados do corpo de Tatiane Spitzner não alteram exames periciais

O Diretor do Instituto Médico-Legal (IML), Paulino Pastre, se manifestou nos autos do processo que apura a morte da advo..

Fernando Garcel - 01 de março de 2019, 11:56

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O Diretor do Instituto Médico-Legal (IML), Paulino Pastre, se manifestou nos autos do processo que apura a morte da advogada Tatiane Spitzner e afirma que o translado do corpo para funerária e depois de volta ao IML de Guarapuava não alteram os resultados dos exames periciais. O documento foi assinado no dia 5 de fevereiro e anexado no processo na quinta-feira (28) e relata o que aconteceu com o corpo da vítima na noite em que ela teria sido agredida e assassinada pelo então companheiro, o professor Luís Felipe Manvailer.

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Pastre foi convocado para prestar esclarecimentos sobre o percurso e deslocamento do corpo de Tatiane e se isso poderia interferir nos resultados dos exames periciais pela juíza substituta da 2ª Vara Criminal de Guarapuava, Heloisa Mesquita Fávaro Freitas.

Segundo o Pastre, ele foi informado pelo chefe administrativo e operacional do IML de Guarapuava na noite dos fatos que o corpo de Tatiane teria sido sido submetido apenas ao exame cadavérico, sem a abertura de cavidades e demais exames obrigatórios e encaminhado para funerária. Ele então teria determinado imediatamente que o corpo da vítima voltasse ao IML imediatamente para uma necropsia completa, incluindo exames complementares de anatomopatológico e toxicológico.

De acordo com o diretor do IML, o translado do corpo de Tatiane para a funerária e o início dos procedimentos no local, que incluiram a introdução de formol no cádaver, não interferiram na produção dos exames periciais.

"O simples translado do cadáver de um local para outro (funerária) e seu imediato retorno ao mesmo local inicial (IML de Guarapuava) não caracteriza quebra da cadeia de custódia. Entre a ida do cadáver à funerária, como do seu retorno imediato ao IML de Guarapuava, nenhuma parte do corpo foi removida ou nele colocado qualquer material que pudesse comprometer a qualidade e a quantidade do material humano em seguida submetido a todos os procedimentos periciais", afirma Pastre.

No documento, o diretor também afirma que no exame cadavérico, o médico legista responsável, não constatou a fratura do pescoço devido a superficialidade. Entretanto, no exame completo realizado na sequência, a apuração aponta com certeza que a vítima teve uma fratura no osso hioide.

Depoimento de Luis Felipe Manvailler

A juíza Paola Gonçalves Mancini, da 2ª Vara Criminal de Guarapuava, marcou para o dia 21 de março o interrogatório de Luis Felipe Manvailer. O interrogatório é a última etapa do processo antes da juíza decidir se o réu vai ou não para júri popular.

O crime

Tatiane foi encontrada morta no apartamento em que morava com Manvalier no último dia 22 de julho.

Imagens mostram ela sendo agredida antes de entrar no prédio, no estacionamento, no elevador, e a queda do 4º andar. Depois, o suspeito busca o corpo, leva ao apartamento, limpa os vestígios de sangue no corredor e elevador e foge do local por uma saída alternativa do estacionamento.

https://www.youtube.com/watch?v=yeVvbJgRZ78

https://www.youtube.com/watch?v=kkZqzNra5_g

De acordo com a denúncia, Luis Felipe matou a esposa após diversas agressões físicas que teriam iniciado após um desentendimento ocorrido em virtude de mensagens em redes sociais, agindo por motivo fútil e desproporcional.

Os promotores Dúnia Serpa Rampazzo e Pedro Henrique Brazão Papaize também afirmam que o laudo da perícia aponta que ele teria enforcado a vítima.