Dois secretários e controlador interno de Cerro Azul estão entre os presos por desvio de dinheiro da merenda

BandNews FM Curitiba


 

Seis pessoas, incluindo membros do primeiro escalão da Prefeitura de Cerro Azul, na região metropolitana de Curitiba, estão presos suspeitos de desviar pelo menos R$ 76 mil em verbas da merenda escolar de crianças carentes. O grupo foi capturado durante a Operação Pratos Limpos, do Ministério Público do Paraná.

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Os presos são: a secretária de Assistência Social, Débora Cristiane da Silva; o secretário de Obras e Viação, Valério Leandro Stival; o controlador interno, João Alceu Bassetti; a diretora do Departamento de Finanças, Milene von der Osten, que era responsável pelas licitações do município; Eliel Bestel, que fazia os pagamentos da Prefeitura, e um empresário da cidade que não teve o nome divulgado.

Segundo as investigações, o grupo agia para comprar e pagar pelos alimentos, mas nada disso chegava ao destino final. Logo depois da liquidação das notas fiscais, elas eram canceladas e o dinheiro gasto era dividido entre os envolvidos.

A promotora Simone Françolin explica que, além do prejuízo aos cofres públicos, o impacto maior é na nutrição das crianças, já que alguns itens chegaram a faltar por causa do esquema. “O prejuízo é na alimentação diária. Nós temos relato de testemunhas que nos disseram que em algumas situações as crianças ficaram sem a carne, que era licitada.  O que pesa nessa questão é que o município de Cerro Azul tem um dos piores índices de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Estado,  são crianças extremamente vulneráveis, social e economicamente. Algumas delas, inclusive, só se alimentam nesses projetos sociais durante o dia todo. Nós estimamos que no ano passado, por volta de R$76 reais tenham sido desviados dos cofres públicos nesse esquema.  Para calcular a quantia estimada neste ano, ainda estamos colhendo mais dados”, explica a promotora.

Os projetos Piá e Beija-Flor, que atendem crianças no contra turno escolar, foram os mais afetados. Além disso, conforme a promotora, a maior parte das verbas desviadas pertencia à Secretaria de Assistência Social do município. “O que deu início  à apuração, foram informações de que havia má prestação do serviço público em relação ao fornecimento da alimentação das crianças que frequentam os projetos sociais, que são as crianças mais carentes do município de Cerro Azul. E essa informação aliada a outros dados coletados  à promotoria de que haveria um grupo de servidores associado a um fornecedor local, para emissão de notas cujos produtos não seriam entregues, mas seriam pagos. Nós conduzimos uma intercepção por volta de 30 dias e deflagramos essa operação que foi chamada de “Pratos Limpos”,  por conta desse fator”.

Além das ordens de prisão, que são temporárias e válidas inicialmente por cinco dias, 28 mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em casas e estabelecimentos comerciais de Cerro Azul, Curitiba e de Pitanga, no Centro do Paraná. A operação contou com o apoio da Polícia Militar. “Durante as interceptações, os alvos mantiveram durante todo período em que foram monitorados, eles mantiveram intensa comunicação entre si e tratavam de emissão de notas, de cancelamentos, de elaboração de memorandos em situações desassociadas do serviço público. No decorrer das investigações surgiram novos fatos, envolvendo outras pessoas que não trabalhavam no serviço público. Nós reunimos provas e para analisar todas essas informações, prestadas de forma oficial ou anônima, estão dentro da operação”.

O grupo agia pelo menos desde o ano passado e as investigações continuam. Entre os itens já apreendidos estão documentos, celulares, computadores, dinheiro, armas, munições e espécimes da fauna silvestre mantidos em cativeiro sem autorização.

Por meio de nota divulgada nas redes sociais, a Prefeitura informa que lamenta o ocorrido e que ainda não tem mais detalhes sobre o caso. O comunicado confirma que os suspeitos são servidores públicos e ressalta que a Administração Municipal está à disposição das autoridades para contribuir com as investigações. Em contato com a Assessoria de Imprensa da Prefeitura, a informação foi a de que o prefeito, Patrik Magari (MDB), e o procurador-geral, Fernando von der Osten, estão em Brasília e participam da Marcha dos Prefeitos.

Por Daiane Andrade,  Ricardo Pereira e Iara Maggioni

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