Cristiana Brittes deve ser denunciada por homicídio, diz promotor

Redação e William Bittar - CBN Curitiba


O promotor do Ministério Público do Paraná (MP-PR), João Milton Salles, declarou, em entrevista à CBN Curitiba, na manhã desta segunda-feira (26), que Cristiana Brittes, esposa de Edison Brittes Júnior, que confessou ter matado o jogador Daniel Corrêa Freitas, também deve ser denunciada pelo crime de homicídio.

No inquérito da Polícia Civil, Cristiana foi indiciada pelos crimes de coação de testemunha e fraude processual.

Segundo Salles, a mulher sabia do caráter do marido e que ao invés dela tentar evitar as agressões, determinou apenas que elas fossem continuadas do lado de fora da casa.

“Surgiu uma circunstância de que, quando se iniciava as agressões, ela teria aderido as agressões e inclusive falado para que aquilo continuasse fora da casa dela. A interpretação que ficou dos autos, e que tem que ser submetida a julgamento, foi uma forma de instigar que eles continuassem aquilo”, diz o promotor.

Em nota, a defesa de Cristiana Brittes apresentou “repúdio e espanto” com as declarações do promotor e disse que é “estarrecedor o argumento de que seria ela a causadora dos crimes de importunação sexual e tentativa de estupro dos quais foi vítima, enquanto dormia em seu quarto”.

De acordo com a Polícia Civil e com o próprio promotor, não houve estupro ou tentativa de estupro como a defesa da família Brittes aponta. João Milton Salles também ressalta que não há justificativa para tentar transformar Daniel em um estuprador, pois ele é a vítima da situação. “Eles tem todo o direito de se defender, mas no direito de defesa não tem que esbarrar nos princípios éticos. Essa questão de tentar transformar esse rapaz, que se encontrava em uma situação de absoluta festividade, não passa uma situação de estupro”, diz Salles.

O promotor também contou que a denúncia está praticamente finalizada e ela deve ser encaminhada à Justiça até esta terça-feira (27), quando a morte de Daniel completa um mês.

Por fim, Salles frisou que novos inquéritos policiais devem ser instaurados para que sejam investigados todos os bens de Edison Brittes Júnior e a procedência, uma vez que automóveis, uma motocicleta e até um chip de celular que estavam em posse dele, estavam em nome de outras pessoas, inclusive de um jovem assassinado em 2016 e um que foi preso pela Polícia Federal.

“Por tudo que surgiu de informações, notícias, relações e indícios, penso que os órgãos de investigação, cada um na sua seara, tem que apurar isso. A partir do momento que o Estado tem indícios de relações de crimes tem que apurar e, pelo menos, as relações e bens que apareceram são bastante nebulosas”, comenta.

O promotor também disse que algumas pessoas devem ter a prisão temporária convertidas em preventiva e outras podem até ser soltas, mas preferiu não apresentar nenhum nome antes da entrega da denúncia.

Sete pessoas estão presas temporariamente suspeitas de envolvimento na morte de Daniel. Além de Edison e Cristiana Brittes, Allana Brittes, filha do casal, Eduardo da Silva, Ygor King, David Vollero e Eduardo Purkote foram indiciados pela Polícia Civil.

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