“Ele se diz culpado pelo crime culposo que já prescreveu!”, desabafa Yared nas redes sociais

Jordana Martinez


 Fernando Garcel e Jordana Martinez

Crime culposo ou com dolo eventual, quando se assume o risco de matar? É o que vai definir o juri popular formado por sete pessoas comuns, cinco mulheres e dois homens que acompanham atentamente os dois dias de julgamento do ex-deputado Carli Filho, acusado de provocar a morte de dois jovens ao dirigir bêbado, em alta velocidade e com a carteira vencida em 2009.

A acusação sustenta que o ex-deputado seja condenado por duplo homicídio com dolo eventual. Neste caso, a pena máxima prevista é de 20 anos de prisão.
“A culpa consciente ocorre quando o culpado confia nas suas habilidades. O Carli não era piloto de prova. É um crime mais grave, que merece um tratamento, não é um crime culposo [quando não há intenção de matar]”, disse.

Ja´de acordo com o advogado da defesa, Alessandro Silvério, o caso apresenta culpa de ambas as partes. A estratégia da defesa é convencer o júri de que as vítimas furaram a preferencial para atenuar ou extinguir a pena de Carli Filho.
“Para o laudo, o acidente foi causado pelo excesso de velocidade. Excesso de velocidade é dolo eventual ou imprudência de trânsito… A acusação parece desconhecer a legislação de trânsito. O homicídio ficou albergado em qual hipótese? Culposo!”

Neste caso, a pena máxima prevista é de quatro anos de prisão e pode ser revertida em serviços à comunidade. Se for condenado por duplo homicídio, a pena pode chegar a 30 anos de prisão. Mesmo se condenado em primeira instância, ele não sai do juri preso, já que pode recorrer da decisão.

Roberto Brzezinski Neto, advogado da defesa, sustenta a versão de homicídio culposo:
“Na hora que ele previu o resultado ele não consentiu com resultado. Além de ter contribuído com a morte de duas pessoas ele também poderia ter morrido”, argumentou.

Prescrição da pena

Juarez Küster, assistente acusação e advogado da família da vítima Murilo Almeida, afirmou que a estratégia da defesa para considerar o crime como homicídio culposo deve levar à prescrição antes do cumprimento da pena. Caso o crime seja considerado culposo é transferido para outra esfera da Justiça e torna-se crime de trânsito.

“Ele está tentando se afastar dos fatos concretos, criando divagações além dos fatos que estão no processo; A defesa chega a pedir a condenação como um enfeite final, mas a condenação de um crime culposo, que está praticamente prescrito. O jogo é esse, pede-se uma absolvição indireta sob o manto de um pedido de condenação. É uma tentativa para tentar resolver a questão através da prescrição”, afirmou Küster.

Nas redes sociais, a deputada Christiane Yared, mãe de Gilmar Rafael Yared, critica a versão dos advogados de defesa: “Ele se diz culpado, culpado pelo crime culposo que já prescreveu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”, postou na tarde desta quarta, durante o julgamento.

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Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.