Em assembleia, estudantes decidem manter ocupação nos colégios

Andreza Rossini


Cerca de 600 estudantes de 30 cidades paranaenses decidiram, nesta quarta-feira (26), em Curitiba, manter as ocupações em colégios estaduais do Paraná.

A assembleia foi realizada para decidir se as escolas seriam desocupadas até o dia 31 de outubro para a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A data foi imposta pelo Ministério da Educação para não adiar a realização do exame para os alunos das escolas ocupadas, marcado pra os dias 5 e 6 de novembro em todo o país.

Durante a manhã, os estudantes debateram a situação local de cada uma das 850 escolas ocupadas no Paraná. No balanço, são informados principais problemas e necessidades das ocupações.

Estudantes ocupam colégios estaduais do Paraná desde o dia 03 de outubro, contra a reforma do ensino médio proposta pelo presidente Michel Temer (PMDB). De acordo com o movimento “Ocupa Paraná” são 850 escolas, 14 universidades e 11 núcleos de educação ocupados. A última atualização foi feita na sexta-feira (21), antes do assassinato de um estudante em uma das instituições.

A Secretaria de Estado da Educação (Seed) afirmou, nesta quarta-feira (26), que são 672 escolas ocupadas. Os estudantes realizam hoje uma assembleia para definir os próximos passos do protesto.

Dezenas de ônibus trouxeram representantes de ocupações de todo o Paraná. Membros da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, União Nacional dos Estudantes e alunos de universidades ocupadas também participam da assembleia. Em todo o País são ao menos mil instituições ocupadas. Além dos estudantes, advogados do grupo Advogados Pela Democracia, membros da OAB, e da Defensoria Pública também estão no local.

Os membros resistem à representação da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes). A organização de cada célula do movimento é independente, mas unida pelo protesto contra a PEC 241 (Proposta de Emenda à Constituição), que limita os gastos públicos por um período de 20 anos e a MP 746 (Medida Provisória), que reforma o Ensino Médio. A Upes, porém, é responsável pela organização da assembleia e unificação do grupo por meio de páginas em redes sociais.

Ministério Público propôs desocupação parcial de escolas

O procurador do Ministério Público do Paraná Olímpio de Sá Sotto Maior propôs a continuidade do movimento, mas com espaços desocupados em escolas. “A proposta é que no próprio sistema educacional se tenha um espaço para que as manifestações continuem. Se garanta, dentro do sistema educacional, a continuidade do movimento mas que se libere o restante do colégio para funcionamento regular do sistema educacional”, disse.

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