Familiares pedem justiça para mulher baleada por policial durante festa

Andreza Rossini

Roger Pereira e Andreza Rossini

Cerca de 50 pessoas participaram de uma manifestação, nesta quarta-feira (4) pedindo justiça para o caso da copeira Rosária Miranda da Silva, de 44 anos, baleada durante uma festa, em Curitiba. Ela faleceu após dez dias internada na UTI do Hospital Cajuru.

Os participantes distribuíram rosas para os carros que passam pela rua Matheus Leme, no centro da capital, onde ocorreu o protesto, próximo ao local do assassinato. Na sequência, eles se reuniram no local onde ocorreu a festa para orações e gritos por Justiça. O ato terminou em frente à casa da investigadora da Polícia Civil Kátia das Graças Belo, suspeita de balear a copeira, que faz fundos com o local do crime. Lá, os manifestantes jogaram diversas rosas para dentro do portão da residência da policial e gritaram palavras de ordem como “cadeia” e “assassina”.

Um dos mais revoltados durante o ato era o sobrinho de Rosária Felipe Siqueira, “A gente quer Justiça. Não vamos fazer com as próprias mãos, mas queremos uma resposta do Poder Judiciário. Que eles mostrem para a gente que a Justiça é verdadeira. Queremos ver essa mulher na cadeia, ou no manicômio, porque ela é uma desequilibrada”.

Ainda em choque, o marido de Rosária, Francisco Feliciano Leite disse que a decisão da Justiça de negar a prisão da policial doeu tanto quanto a morte de sua esposa. “A única coisa que nos confortaria um pouco neste momento de dor era a Justiça, mas nem isso está acontecendo. Essa mulher está solta e armada, é um risco para a sociedade. Ela tem que estar presa”, disse.


“Estávamos em festa, comemorando o fim de ano e começamos a ouvir barulhos vindo de trás das árvores, que achamos ser bombinhas, foguetes. Quando fomos ver, minha mulher estava caída no chão, atingida pelas costas, por um tiro. Essa policial não serve para defender a população. Tem que estar na cadeia”, disse. “Ela acabou com a minha família e arruinou o sonho do meu filho que era ser policial, mas, agora, viu a mãe ser morta por uma policial e, ainda, teve a prisão indeferida”.

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Entenda o caso 

A copeira Rosária foi sepultada na segunda-feira (2) em Itaperuçu, na região metropolitana de Curitiba, dez dias após ser baleada por uma policial civil, Kátia das Graças Belo, no Centro Cívico, na capital. Cerca de mil pessoas acompanharam o sepultamento.

Rosária foi socorrida com vida após levar um tiro supostamente acidental da investigadora, mas não resistiu e morreu na UTI do Hospital Cajuru no último domingo (1).

Em depoimento, a policial disse que se incomodou com o barulho de uma festa de confraternização de uma empresa que Rosária participava, mas que não pretendia acertar ninguém e a bala teria ricocheteado.

Foto: Roger Pereira/Paraná Portal
Foto: Roger Pereira/Paraná Portal

No dia da morte, a Justiça negou o pedido de prisão da investigadora feito pela Polícia Civil. Para a juíza Ana Carolina Bartalamei Ramos, como ela se apresentou e confessou o crime, não haveria motivos para a detenção. A defesa ainda considera que o disparo que matou a copeira pode ter sido dado por outra pessoa. No entanto, a policial Kátia deve ser indiciada por homicídio doloso – quando há intenção de matar.

As investigações estão sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).  Além do processo criminal, um procedimento administrativo foi aberto pela Corregedoria da Polícia Civil.

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