Em resposta a acusação do MP, defesa de Manvailler diz que ele é inocente

A defesa do Luís Felipe Manvailer, de 32 anos, acusado de matar a advogada Tatiane Spitzner, apresentou resposta à acusa..

Francielly Azevedo - 23 de agosto de 2018, 21:00

Câmeras flagraram agressões de Luis Felipe contra a esposa momento antes da morte de Tatiane
Câmeras flagraram agressões de Luis Felipe contra a esposa momento antes da morte de Tatiane

A defesa do Luís Felipe Manvailer, de 32 anos, acusado de matar a advogada Tatiane Spitzner, apresentou resposta à acusação do Ministério Público (MP), nesta quinta-feira (23), afirmando que o acusado é "inocente". A esposa dele foi encontrada morta após cair do 4º andar do apartamento em que os dois moravam, no último dia 22 de julho.

Nas alegações, os advogados afirmam que não têm condições de apresentar uma resposta à acusação "por uma singela razão: a acusação ainda não está minimamente delimitada". A defesa afirma que a denúncia precisa ser "clara e objetiva".

"Afinal de contas, como se defender de uma acusação incógnita, cujos contornos não estão minimamente definidos?Trata-se de uma denúncia mutante, movediça, ao talante dos elementos de prova vindouros. A Defesa, a seu turno, enfrenta uma luta quixotesca contra uma base fática indefinida e alterável à mercê do bel capricho das conveniências circunstanciais do momento em que a prova vindoura for produzida", disse no documento.

A defesa aponta que como o laudo do exame de necropsia ainda não foi incluído nos autos, não é possível determinar exatamente qual teria sido a causa da morte de Tatiane. "A denúncia chega a ponto de dizer que o acusado matou

Tatiane Spitzner 'mediante agressões físicas sucessivas e arremesso da vítima'. Impossível! Ou bem uma situação, ou bem outra.  Que o Ministério Público se decida: ou bem Luis Felipe matou Tatiane mediante 'asfixia

mecânica' e, depois, defenestrou um corpo sem vida; ou, então, Luis Felipe matou Tatiane mediante 'arremesso da vítima' que causaram politraumatismos decorrentes da queda que foram a causa de sua morte. Na verdade, o apego a ambas só reforça que nenhuma é verdadeira", alegou a defesa.

Nas pontuações, a defesa pediu provas periciais, reabertura de oportunidade para nova manifestação depois que os laudos vierem aos autos e indicou ainda 23 testemunhas, além de um perito, um médico legista, perícias em celulares, filmagens do bar onde casal comemorava o aniversário de Luis Felipe e filmagens das câmeras de segurança dos pedágios.

No mérito, a defesa aponta, categoricamente, que Luis Felipe é inocente. Segundo os advogados, a denúncia foi prematura e não encontra respaldo em nenhum elemento científico de prova.

O CASO

Tatiane foi encontrada morta no apartamento em que morava com Manvalier no último dia 22 de julho. Imagens mostram ela sendo agredida antes de entrar no prédio, no estacionamento, no elevador, e a queda do 4º andar. Depois, o suspeito busca o corpo, leva ao apartamento, limpa os vestígios de sangue no corredor e elevador e foge do local por uma saída alternativa do estacionamento.

De acordo com a denúncia, Luis Felipe matou a esposa após diversas agressões físicas que teriam iniciado após um desentendimento ocorrido em virtude de mensagens em redes sociais, agindo por motivo fútil e desproporcional. Os promotores Dúnia Serpa Rampazzo e Pedro Henrique Brazão Papaize também afirmam que o laudo da perícia aponta que ele teria enforcado a vítima.

“Ainda, de acordo com o Laudo Pericial de Local de Morte, de fls. 239-249, o acusado, durante a execução do crime de homicídio, produziu lesões características de esganadura na vítima, quais sejam, ‘estigmas ungueais nas regiões laterais do pescoço, características de esganadura’, praticando o delito mediante asfixia. O denunciado, ao matar a vítima, agiu mediante recurso que dificultou a sua defesa, em razão da sua superioridade física em face da ofendida e das agressões contínuas e progressivas que inibiram a possibilidade de reação por parte desta. Ademais, o denunciado praticou o presente crime contra mulher por razões da condição de sexo feminino, já que Tatiane Spitzner era sua esposa, caracterizando violência doméstica e familiar”, diz a denúncia.

Sobre o cárcere privado, a denúncia narra que Luis Felipe impediu, mediante violência, que Tatiane se afastasse, por pelo menos três vezes, constrangendo-a a deixar a garagem do edifício em sua companhia, a permanecer dentro do elevador e a ingressar no apartamento em que residiam, restringindo a liberdade de locomoção da vítima, conforme as filmagens do circuito interno de câmeras do edifício.

A denúncia sobre o crime de fraude processual ocorre porque o acusado tentou adulterar a cena do crime. As imagens do circuito interno do edifício mostram que Luis Felipe Manvailer recolheu o corpo da vítima após a queda, levou até o apartamento e depois limpou o chão e elevador que ficaram sujos de sangue.

“ Ciente da ilicitude e reprovabilidade de sua conduta, inovou artificiosamente, visando produzir efeito em processo penal ainda não iniciado, o estado de lugar e de coisas, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito, mediante a remoção do corpo da vítima TATIANE SPITZNER do local da queda e limpeza de vestígios de sangue”, diz a denúncia

O advogado da família de Tatiane, Gustavo Scandelari, afirma que todas as provas e laudos até agora, contradizem o que foi dito por Manvailer em depoimento.

“Provas do inquérito, que são os depoimentos, especificamente no perfil mais agressivo do indiciado, destacando que a Tatiane estava tentando o divórcio mas que ele era contra, o laudo constata a marca de esganadura e as marcas do pescoço de Tatiane. As próprias filmagens mostram que ela estava desesperadamente fugir do marido para evitar ser agredida”, diz Scandelari.

SUSPEITO PRESO

Luís Felipe está preso desde o dia 22 de julho, quando foi encontrado após se envolver em um acidente em uma rodovia a cerca de 320 km de Guarapuava. Ele dirigia o carro da advogada e seguia em direção a fronteira com o Paraguai e Argentina. Ele é acusado pelos crimes de homicídio com quatro qualificadoras (meio cruel, dificultar defesa da vítima, motivo torpe e feminicídio), cárcere privado e fraude processual.

A perícia indicou que Tatiane teve uma fratura no pescoço, característica de quem sofreu esganadura.