Em telefonema, empresário que confessou ter matado Daniel dizia estar triste com a tragédia

Fernando Garcel e Francielly Azevedo

O caso envolvendo a morte do jogador de futebol Daniel Corrêa Freitas, de 24 anos, ganhou uma nova perspectiva nesta segunda-feira (5). O autor confesso do crime, Edison Brittes Junior, de 38 anos, foi gravado em ligação com um amigo da vítima se lamentando sobre o sumiço do atleta e dando outra versão sobre o que aconteceu na noite em que Daniel morreu. Ontem, a esposa, Cristiana Brittes, e a filha, Allana Brittes, prestaram depoimento na delegacia de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Edison Brittes depõe hoje.

Na ligação, que aconteceu após o corpo de Daniel ter sido encontrado e identificado, Edison Brittes diz que não sabe como Daniel foi embora e que está chocado com o caso. Falou também que teve que dar calmante para a filha, Allana, após saberem da morte da vítima e que ele chegou a ligar para a irmã de Daniel para dar os pêsames.

“Cara, a gente também não sabe o que aconteceu. Só que ele foi embora. Ele pegou, ele não saiu do celular, pegou e foi embora. Você viu o tamanho que é o terreno aqui da minha casa. Ele saiu aqui para a frente e foi embora. A gente não viu mais nada. […] Ele só pegou e foi embora. Mas que tragédia, cara. Triste, muito triste. Pensa em uma forma de poder ajudar, vamos fazer de tudo para poder ajudar. […] Nem fale, cara, o desespero. Minha filhinha aqui está no desespero também. A Allana, cara, meu Deus, a Allana está em choque, cara. Meu Deus, eu tive que dar até calmante para a Allana”, diz.



Ele também conta que o atleta era muito amigo de Allana e que veio para cidade apenas para o aniversário da jovem. “Ela é tão amiga dele que ele veio só para o aniversário dela. Era um querido dela, imagine. Veio de longe só para a festa dela, era uma pessoa muito querida pela gente”.

Outra versão

As gravações mostram um contraponto da versão que foi apresentada pelos suspeitos em entrevistas e materiais divulgados pela defesa para a imprensa. Na semana passada, antes da prisão, Edison e Allana gravaram vídeos em que contam o que teria acontecido naquela noite em outro tom. O suspeito acusa a vítima de ter tentado estuprar sua esposa, Cristiana Brittes, e chama Daniel de “monstro e canalha”. A defesa da família de Daniel nega a acusação. Veja:

Defesa

Procurada, a defesa ainda não se manifestou sobre as gravações. “Ao que tudo está a indicar, o Edison tem, na sua versão apresentada, elementos de convicção muito forte: sua predisposição em contar o que aconteceu de forma espontânea. Ele se apresentou à polícia, franqueou a entrada em sua casa, entregou o veículo e as diligências foram empreendidas graças às indicações dele”, disse o advogado quando o suspeito se entregou à polícia.

Caso

O corpo do jogador foi encontrado em uma área de mata próxima à uma estrada rural, na cidade de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no sábado (27), por moradores da região. Ele estava nu, com diversos cortes, dois deles profundos na região do pescoço, e teve o pênis decepado. O órgão estava pendurado em uma árvore a 20 metros de onde o corpo foi encontrado.

De acordo com o advogado da família do jogador, Nilton Ribeiro, as alegações são fantasiosas para manchar a honra do rapaz. O advogado solicitou na Justiça a reconstituição do assassinato e espera que isso deva provar que a família Brittes estaria omitindo informações.

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