Empresários protocolam abaixo-assinado com 15 mil assinaturas e pedem lockdown

Angelo Sfair

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Um abaixo-assinado com mais de 15 mil assinaturas pede a adoção do lockdown em Curitiba. O documento foi entregue nesta quinta-feira (25) por representantes do movimento Fechados pela Vida, que reúne pequenos empresários do ramo da gastronomia e do entretenimento.

Cópias do abaixo-assinado foram protocoladas nas sedes da Prefeitura de Curitiba, do Governo do Paraná e do Ministério Público. O grupo pede, sobretudo, que sejam adotadas medidas mais amplas e efetivas para conter a pandemia do coronavírus.

A expetativa do movimento era atingir 5 mil assinaturas. No entanto, em menos de uma semana, a adesão foi três vezes maior. A versão final do abaixo-assinado contou com 15 mil apoiadores. O objetivo é abrir um canal de diálogo do setor com o Poder Público.

Janaína Santos, proprietária do Cosmos Bar, é uma das articuladoras do movimento Fechados pela Vida. O grupo faz críticas às medidas parciais de restrição, que permitem o funcionamento de alguns serviços e atividades não essenciais, como os shoppings.

“A gente pede que todos os setores da sociedade contribuam por igual, principalmente aqueles que apresentam risco de contaminação à população”, explicou, em entrevista ao Paraná Portal.

EMPRESÁRIOS PEDEM LOCKDOWN E PLANO ECONÔMICO

Janaína Santos argumenta que o abaixo-assinado revela que muitas pessoas de Curitiba — entre elas comerciantes e empresários — são favoráveis à adoção de medidas mais rígidas para combater o coronavírus antes que o sistema de saúde entre em colapso.

Ao mesmo tempo, pondera que os empresários precisam de apoio para não falir. Uma das demandas do movimento Fechados pela Vida é a criação de um plano econômico para dar suporte ao setor.

“Gostaríamos de continuar fechados, mas não temos mais condições de segurar as contas. Acreditamos que economia e saúde são fundamentais e devem andar lado a lado, salvando vidas e salvando empregos”, diz Janaína Santos.

Como exemplo, ela cita o próprio bar. Fechado voluntariamente em 8 de abril, o empreendimento passou a atender exclusivamente por meio de delivery ou retirada no balcão desde 11 de junho. No entanto, as vendas limitadas não são suficientes para arcar com todas as despesa. O faturamento atual representa apenas 20% do que o bar movimentava antes da pandemia.

Articuladora do movimento Fechados pela Vida, a empresária aponta a ausência de linhas de crédito acessíveis como um dificultador para a manutenção do setor. “Estou há dois meses lidando com burocracia para ter um empréstimo com a linha do BNDES aprovada e essa é a realidade de muitas empresas”.

“Queremos contribuir no combate à pandemia. Vamos contribuir. Mas não queremos fechar para sempre. Fechar as portas agora não pode ser uma falência em definitivo”, concluiu Janaína Santos.

Procurada, a Prefeitura de Curitiba ainda não se manifestou.

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Janaína fechou o bar no início de abril e articula um movimento de empresários que pede medidas de combate à pandemia e apoio econômico ao setor (Arquivo pessoal)

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