Empresas de ônibus pedem fim do “Uber Juntos” em Curitiba

Angelo Sfair - BandNews FM Curitiba


As empresas de ônibus da capital e região metropolitana querem impedir o funcionamento do “Uber Juntos” na Grande Curitiba. Essa categoria do aplicativo de transporte permite que até quatro passageiros compartilhem a carona – com um preço promocional –, desde que as rotas sejam compatíveis entre si.

Na visão dos empresários, a categoria extrapola a regulamentação municipal. O Sindicato das Empresas de Transporte de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) enviou um ofício à Urbs para que a startup seja notificada e deixe de oferecer o serviço na cidade.

No documento, os empresários alegam que o “Uber Juntos” causa prejuízo. Contudo, o diretor executivo do Setransp, Luiz Alberto Lenz César, afirma que não há uma estimativa financeira. “Não temos como calcular, mas entendemos que o impacto esteja gerando uma dificuldade para a permanência do transporte coletivo”, diz o diretor executivo do Setransp, Luiz Alberto Lenz César.

Mais do que impedir o serviço da Uber, o diretor executivo do sindicato afirma que o objetivo principal é aprofundar a discussão sobre o tema. “Nós estamos tendo constantes reuniões com a Urbs, no sentido de entender mais sobre a situação do Uber Juntos. Nós acreditamos que devemos aprofundar essas análises”

Para o Sindicato das Empresas de Transporte de Curitiba e Região, o “Uber Juntos” se enquadra como transporte ilegal, uma vez que deixa de ser um serviço estritamente individual. Na visão dos empresários, o risco em longo prazo está no excesso de tolerância à regulamentação municipal:

“Essa ameaça se inicia por carros que fazem a coleta de pessoas na mesma rota angariando pessoas com todas essas flexibilidades que o próprio transporte coletivo, fazendo a mesma coisa, tem uma série de obrigações e custos”, diz César. “O nosso temor é que começa com o carro, passa para uma van e daqui a pouco pode chegar até em ônibus. Esse risco pode inviabilizar o sistema do transporte coletivo”, conclui.

O ofício dos empresários foi enviado à administração municipal no final do ano passado. Por meio de nota, a Urbs afirma que “não tem prazo para emitir parecer sobre o pedido do Setransp, que ainda está sendo analisado pelas áreas técnica e jurídica”.

No entanto, a Urbs adianta que “não tem interesse em impedir o funcionamento dos aplicativos, pois acredita que os modais, ônibus e carro, são complementares”.

A Uber se posicionou, afirmando que o serviço não é uma modalidade de transporte coletivo. Veja na íntegra:

O Uber Juntos é uma evolução da modalidade Uber Pool, que opera na cidade de São Paulo desde 2016, e representa mais uma opção de mobilidade compartilhada com uso da tecnologia. Dessa forma, o Uber Juntos não é uma modalidade de transporte coletivo, mas um sistema que combina viagens individuais com trajetos convergentes para compartilhar o mesmo veículo, aumentando a eficiência do modelo.

Criado para colocar mais pessoas em menos carros, o Uber Juntos contribui para reduzir o impacto dos congestionamentos, oferecendo preços mais acessíveis para os usuários ao mesmo tempo em que mantém os ganhos dos motoristas parceiros. A tecnologia da Uber conecta usuários que têm percursos individuais parecidos, driblando o trânsito ao pedir que os usuários caminhem alguns minutos para encontrar o motorista, sem pontos ou itinerários fixos.

Ao tornar o uso do automóvel mais eficiente, a Uber acredita que o Uber Juntos complementa o transporte público, ampliando o acesso dos usuários à rede pública principalmente na região central da cidade – exatamente onde existe maior necessidade de diminuir o fluxo de carros. Diversas pesquisas e os dados de viagens da Uber vêm demonstrando que o serviço complementa e incentiva o uso do transporte público por facilitar o acesso das pessoas às linhas de ônibus ou de trens, seja para ir de casa à estação, seja para ir do último ponto até a porta de casa.

Tanto que entre as viagens de Uber com início ou fim nas estações de metrô em São Paulo, por exemplo, as mais frequentes são nas “pontas” de linhas, como as estações Barra Funda (ponta da linha 2-Vermelha), Tucuruvi (ponta da linha 1-Azul), Jabaquara (ponta da linha 1-Azul) ou Butantã (ponta da linha 4-Amarela até a recente ampliação). A recente pesquisa Origem Destino do Metrô paulista apontou que o sistema metro-ferroviário teve aumento de viagens no mesmo período em que surgiram os aplicativos, mais um indício da complementaridade dos sistemas.

Além disso, as modalidades de viagem compartilhada são incentivadas e expressamente autorizadas nas regulações municipais dos aplicativos, como as da cidade de São Paulo e do Rio de Janeiro, por exemplo.

Em São Paulo, em apenas 7 dias (entre os dias 22 e 30 de novembro), o Uber Juntos retirou cerca de 1.500 carros por hora do trânsito da cidade em horários de pico. O número de mais de 60 mil carros reflete as viagens de Uber Juntos que aconteceram com mais de um usuário por carro, e apenas durante as 6 horas pré-determinadas no plano emergencial que a empresa desenvolveu a partir do bloqueio da marginal Pinheiros, via que foi interditada após um viaduto ceder. O plano teve como objetivo contribuir com a mobilidade de São Paulo ao incentivar que mais pessoas deixassem seus carros em casa e fizessem viagens compartilhadas, reduzindo o número de veículos nas ruas.

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