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Enfermeiro se recusa a prestar atendimento a menino autista em Pinhais

Da BandNews FM CuritibaUm menino autista de 11 anos de idade quase deixou de ser medicado em Pinhais, na Grande Curitiba..

Francielly Azevedo - 22 de junho de 2017, 15:57

Da BandNews FM Curitiba

Um menino autista de 11 anos de idade quase deixou de ser medicado em Pinhais, na Grande Curitiba, porque um enfermeiro se recusou a prestar o atendimento. E ele teria feito isso por vingança já que a mãe da criança é autora de uma reclamação feita contra o profissional na Ouvidoria do município no início do ano.

Revoltada, Edilza Cavalcante diz que abriu outro protocolo contra o homem na Prefeitura e que também fez um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil.

"Na segunda ele foi para escola meio ruinzinho, mas foi. Na terça-feira ele foi para escola e em menos de meia hora a diretora ligou dizendo que ele estava reclamando de muita dor na cabeça e na barriga. Um autista não sabe distinguir a intensidade da dor, por isso eu corri para o médico quando ele reclamou. Doutor Leandro atendeu ele e receitou uma injeção. O Everton (enfermeiro) chamou o Emanuel e quando ele olhou para mim simplesmente disse que não iria me atender", conta.

O menino já apresentava problemas de saúde desde o fim de semana. No sábado (17), o garoto foi levado pela mãe à UPA, a Unidade de Pronto Atendimento, do município, e foi medicado para evitar que o quadro evoluísse para uma pneumonia, mas os remédios orais e as inalações não surtiram efeito.

Diante da negativa do enfermeiro da Unidade de Saúde Ana Nery, no bairro Alto Tarumã, Edilza teria tentado argumentar dizendo que o paciente era o filho, e não ela, mas nem assim o profissional mudou de ideia.

"Você não pode se recusar a atender meu filho, ele simplesmente virou as costas e foi embora. E eu fiquei com a criança sentada, com uma injeção na mão", lembra.

Investigação

A nova reclamação foi registrada no mesmo dia e, depois, a mulher foi até a delegacia. Procurada pela reportagem, a diretora do Departamento de Assistência à Saúde de Pinhais, Viviane Tomazoni, garante que uma apuração interna foi instaurada nesta quinta-feira (22) e que o profissional pode até perder o emprego caso fique comprovado que ele negou sumariamente o atendimento ao menino por vingança.

"Existe uma comissão de sindicância de processo administrativo e essa comissão que vai determinar a punição para o servidor É um servidor que está há muito tempo na prefeitura, ele nunca mostrou esse problema" explica.

Por outro lado, a diretora esclarece que todas as informações sobre o caso precisam ser levantadas antes de qualquer providência.

"A gente leva em conta que o paciente saiu da Unidade de Saúde com a medicação realizada. Outros servidores também tem problemas com essa paciente, então é por isso que será investigado como está a situação com outros servidores também", destaca.

Vale ressaltar que o atendimento negado foi determinado pelo médico da unidade de saúde para o menino, e não para a mãe dele. E que, em todo caso, a população tem direito constitucional à assistência médica. A denúncia anterior da mulher foi registrada também após uma negativa de atendimento pelo enfermeiro durante uma crise de hipertensão da qual ela foi vítima.