Enfermeiro se recusa a prestar atendimento a menino autista em Pinhais

Francielly Azevedo


Da BandNews FM Curitiba

Um menino autista de 11 anos de idade quase deixou de ser medicado em Pinhais, na Grande Curitiba, porque um enfermeiro se recusou a prestar o atendimento. E ele teria feito isso por vingança já que a mãe da criança é autora de uma reclamação feita contra o profissional na Ouvidoria do município no início do ano.

Revoltada, Edilza Cavalcante diz que abriu outro protocolo contra o homem na Prefeitura e que também fez um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil.

“Na segunda ele foi para escola meio ruinzinho, mas foi. Na terça-feira ele foi para escola e em menos de meia hora a diretora ligou dizendo que ele estava reclamando de muita dor na cabeça e na barriga. Um autista não sabe distinguir a intensidade da dor, por isso eu corri para o médico quando ele reclamou. Doutor Leandro atendeu ele e receitou uma injeção. O Everton (enfermeiro) chamou o Emanuel e quando ele olhou para mim simplesmente disse que não iria me atender”, conta.

O menino já apresentava problemas de saúde desde o fim de semana. No sábado (17), o garoto foi levado pela mãe à UPA, a Unidade de Pronto Atendimento, do município, e foi medicado para evitar que o quadro evoluísse para uma pneumonia, mas os remédios orais e as inalações não surtiram efeito.

Diante da negativa do enfermeiro da Unidade de Saúde Ana Nery, no bairro Alto Tarumã, Edilza teria tentado argumentar dizendo que o paciente era o filho, e não ela, mas nem assim o profissional mudou de ideia.

“Você não pode se recusar a atender meu filho, ele simplesmente virou as costas e foi embora. E eu fiquei com a criança sentada, com uma injeção na mão”, lembra.

Investigação

A nova reclamação foi registrada no mesmo dia e, depois, a mulher foi até a delegacia. Procurada pela reportagem, a diretora do Departamento de Assistência à Saúde de Pinhais, Viviane Tomazoni, garante que uma apuração interna foi instaurada nesta quinta-feira (22) e que o profissional pode até perder o emprego caso fique comprovado que ele negou sumariamente o atendimento ao menino por vingança.

“Existe uma comissão de sindicância de processo administrativo e essa comissão que vai determinar a punição para o servidor […] É um servidor que está há muito tempo na prefeitura, ele nunca mostrou esse problema” explica.

Por outro lado, a diretora esclarece que todas as informações sobre o caso precisam ser levantadas antes de qualquer providência.

“A gente leva em conta que o paciente saiu da Unidade de Saúde com a medicação realizada. Outros servidores também tem problemas com essa paciente, então é por isso que será investigado como está a situação com outros servidores também”, destaca.

Vale ressaltar que o atendimento negado foi determinado pelo médico da unidade de saúde para o menino, e não para a mãe dele. E que, em todo caso, a população tem direito constitucional à assistência médica. A denúncia anterior da mulher foi registrada também após uma negativa de atendimento pelo enfermeiro durante uma crise de hipertensão da qual ela foi vítima.

 

 

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.
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