Escolas particulares vivem drama financeiro em meio à pandemia do coronavírus

Vinicius Cordeiro

A sobrevivência de instituições menores está em jogo nesta crise. Contudo, o governo estadual prevê retorno das atividades em agosto e não respondeu o Sindicato até o momento.
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As escolas particulares do Paraná vivem um momento delicado durante a pandemia do coronavírus. Com a suspensão das aulas presenciais em março, determinada pelo decreto do governo estadual, algumas instituições correm o risco de fechar as portas enquanto outras tentam manter a folha de pagamento.

O Paraná Portal ouviu escolas privadas de Curitiba com realidades distintas, mas que relatam o principal problema em comum: os pedidos dos pais para cancelamento das matrículas. Na visão dos colégios, os pais de crianças estão contratando serviço de babás mesmo no período de distanciamento social e, por isso, não tem orçamento para os dois gastos.

Compreendendo a situação dos pais e tentando superar o cenário difícil, o Colégio Bagozzi, um dos mais tradicionais da cidade, optou em suspender as mensalidades dos alunos dos berçário até o nível 3 até agosto. Já os estudantes do nível 4 até o terceiro ano do Ensino Médio estão tendo aulas online, mas com desconto de 12% na mensalidade.

“Mesmo assim a gente está batendo os 40% de inadimplência no mês de maio. Os pais colocam que os professores estão dando aula de casa e isso diminuiu o custo, mas, na verdade, tivemos que contratar plataformas e ampliar os servidores para que as aulas aconteçam online. E os custos de água, luz e produtos de limpeza também não são valores significativos”, conta a diretora Ângela Basso.

Segundo ela, a prioridade é manter a folha de pagamento em dia, principalmente porque as jornadas dos professores e das equipes pedagógicas aumentaram durante a pandemia. No caso do Bagozzi, a escola decidiu aderir a ideia do governo estadual em retomar as atividades presenciais em agosto. Mas, caso isso seja adiado, a segurança na parte financeira está ameaçada.

“A gente fez esse desconto pensando em suportar até o mês de agosto. Estamos fazendo o trabalho com os pais para parcelar porque pelo menos a gente sabe que vai ter uma entrada. Mas temos apertado todos os custos para honrar os compromissos, com os professores e a editora que nos fornece o material”, completa.

Já a realidade da escola Aurora é diferente. A unidade das Mercês atendia cerca de 110 crianças antes da suspensão das aulas. Nesse período, o número já caiu 15%. Até o momento, nenhum dos 50 funcionários foi demitido até o momento, apesar de diversos colaboradores terem tido a redução na jornada e na remuneração, conforme a MP (Medida Provisória) 936, do governo federal.

Além disso, já foram feitos descontos de até 35% nas mensalidades. Mas, nem assim, a sobrevivência dos colaboradores está garantido. “O que resolveria, no sentido financeiro, seria um auxílio no retorno, mesmo que volte em agosto”, conta Ana Malucelli Albuquerque, diretora.

Segundo ela, um grupo no WhatsApp feito com diretoras de escolas particulares menores têm diversas conversas de medo do atual cenário. “Sabemos, oficialmente, que quatro escolas já fecharam. Mas muitas não vão conseguir se manter, principalmente se não voltar no próximo mês”, finaliza.

SINDICATO DAS ESCOLAS PARTICULARES ENVIA SUGESTÃO, MAS GOVERNO NÃO RESPONDE

O Sinepe (Sindicato das Escolas Particulares) elaborou uma proposta (veja a íntegra) para que as atividades presenciais da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental, além das escolas de idiomas, voltem a partir do dia 19 de junho de forma segura e gradual. A sugestão foi enviada às Secretarias de Saúde municipal e estadual na sexta-feira (22) da semana passada. Até o momento, nenhuma pasta do governo do Paraná respondeu sobre o protocolo.

“O Poder Público não falou com nós. Não tivemos absolutamente nenhuma resposta, nem para conversar”, diz a presidente do Sinepe, Esther Cristina Pereira, ao Paraná Portal.

Segundo ela, a preocupação do Sindicato é uma união do aspecto financeiro das escolas particulares, com o risco de alto índice de desemprego que elas podem gerar, e da saúde das crianças, que estão passando a ocupar ambientes com risco de proliferação do coronavírus.

“Tem muitas escolas sofrendo por causa do financeiro. Está acontecendo uma demissão em massa. Da pré-escola, estamos tendo uma evasão muito grande, com os pais procurando a rede estadual, que não tem condições de atender”, diz Pereira.

“O que mais preocupou é que as mães voltaram a trabalhar. E elas se organizaram deixando as crianças com babás, deixando dentro de espaços de festas. E se a gente pensar em segurança da saúde, é muito pior elas estarem nesses espaços do que na escola”, completa.

SECRETARIA DA EDUCAÇÃO SE MANIFESTA ENQUANTO SESA FICA EM SILÊNCIO

O Paraná Portal entrou em contato com a SEED (Secretaria de Estado da Educação) e com a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) para se posicionarem em relação ao protocolo enviado pelo Sinepe.

Em nota, a SEED diz que não houve nenhuma aprovação ao pedido do Sinepe para reabertura das escolas particulares do Paraná. Além disso, informa que qualquer decisão da retomada das aulas deverá seguir o regramento estabelecido, que busca evitar contágios e proteger os alunos, o corpo docente e os funcionários das instituições de ensino do estado. Por fim, a Secretaria de Educação ressalta que as escolas particulares foram incluídas no decreto estadual, que suspendia as atividades presenciais, por pedido do próprio Sinepe.

Já a Secretaria da Saúde não se pronunciou até o fechamento da reportagem, mas o espaço segue aberto e a matéria será atualizada caso o Paraná Portal receba alguma resposta.

Por fim, vale lembrar que o governo do Paraná vai receber R$ 1,9 bilhão do socorro financeiro aprovado pelo governo federal. Entretanto, nenhum repasse para a área da Educação foi anunciado até o momento.

Por enquanto, foi sinalizada no uso da verba para a Saúde e equilibrar a arrecadação tributária do Estado, já que o Paraná deixou de arrecadar, entre janeiro e maio, mais de R$ 1 bilhão apenas em ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). O pagamento do governo federal será feito em quatro parcelas e a expectativa é que o primeiro recebimento aconteça em junho.

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