Espécies raras de golfinhos são encontradas no litoral do Paraná

Andreza Rossini

Biólogos do Centro de Estudos do Mar (CEM), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), registraram no início deste mês uma aparição rara de duas espécies de golfinhos no litoral do Paraná.

Cerca de 50 animais foram avistados entre a Ilha do Mel e Superagui, em Paranaguá. De acordo com o CEM, os mamíferos são das espécies pintado (Stenella frontalis) e nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus). Eles teriam chego ao litoral do Paraná em busca de comida, atraídos por correntes frias.

A primeira espécie não é comum no litoral paranaense, mas pode ser avistada quando há maior produção primária na região, já que segue as correntes com mais alimento. Já a segunda pode ser encontrada nas áreas costeiras, principalmente na região da Ilha dos Currais e Figueira.

Os animais se alimentam de pequenos peixes e lulas. O Centro de Estudos do Mar monitora constantemente os golfinhos e outros bichos na região do litoral.O


De acordo com a bióloga Camila Domit, os golfinhos mais comuns no litoral do estado são da espécie Sotalia guianensis, popularmente conhecidos como boto-cinza.

“Os golfinhos são sentinelas ambientais e refletem a saúde do ecossistema em seus padrões ecológicos e em suas atividades comportamentais. Avaliando esses animais, podemos entender como está a qualidade do ecossistema”, explica Camila.

Neste último monitoramento, foi possível observar o grupo misto de golfinhos realizando diversas atividades de alimentação. “Pudemos coletar muitas imagens que trazem importantes informações sobre o uso da nossa região por espécies topo de cadeia trófica marinha (cadeia alimentar) ”, conta a bióloga.

Segundo o LEC, mais de 20 espécies de mamíferos marinhos já foram registradas no litoral paranaense. Algumas espécies apenas passam pela região durante a migração, caso das baleias Jubarte, enquanto outras utilizam a região para desenvolvimento, reprodução e alimentação. “Nosso litoral é bastante produtivo, o que atrai estes organismos topo de cadeia trófica. Enquanto eles estiverem utilizando a área e com boa condição de saúde, significa que temos um litoral bem conservado”, afirma Camila.

A bióloga alerta que, com base nos resultados das pesquisas do laboratório, percebe-se que muitas espécies de golfinhos começam a apresentar doenças características de animais estressados pela degradação do ecossistema. “Isso indica que está na hora de cuidarmos da nossa região, para que a situação não se agrave e, no futuro, afete também a nossa saúde”.

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