Estudantes decidem hoje se desocupam escolas para o Enem

Brunno Brugnolo, Narley Resende e Fernando GarcelO movimento Ocupa Paraná faz a partir das 8h desta quarta-feira uma ass..

Redação - 26 de outubro de 2016, 06:39

Brunno Brugnolo, Narley Resende e Fernando Garcel

O movimento Ocupa Paraná faz a partir das 8h desta quarta-feira uma assembleia estadual com representantes de ocupações de todo o Estado no C.E. Loureiro Fernandes, no Juvevê.

A reunião deve definir as desocupações em mais de 100 colégios para a realização do Enem no início do mês que vem e pode dar novos rumos para o movimento em si, abalado com a morte de um estudante na segunda-feira.

Ontem, durante pronunciamento em que lamentaram a morte do jovem, líderes da Upes (União Paranaense do Estudantes) falaram em levar pautas ao governo do Estado, em vez de pedir a ‘simples’ retirada da medida provisória do governo federal sobre a reforma do ensino médio.

De acordo com Thiago Kolak, do comando da ocupação do Campus Cedeteg da Unicentro, em Guarapuava, a união dos estudantes universitários e dos secundaristas deve fortalecer o movimento. "Eu acho muito importante a unificação desse movimento. A luta, tanto das universidades como a das escolas, é a mesma. A gente espera sair com um movimento mais forte. A PEC vai congelar os gastos na educação e na saúde. A gente sabe que não vai ter repasse do federal para o estadual", disse.

Além disso, Kolak demonstra preocupação com a Reforma do Ensino Médio, proposto pelo presidente Michel Temer, que poderá autorizar que pessoas com "notório saber", mesmo que não sejam formadas, possam lecionar nas escolas. "Muitos dos cursos, principalmente da nossa universidade, são de licenciatura. Com a Reforma, com o notório saber, muitas pessoas que não fizeram licenciatura vão poder dar aula e isso vai tirar o emprego de quem está se formando agora", afirma.

Segundo o presidente da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes), Matheus dos Santos, a entidade nunca se posicionou sobre as desocupações. "Não é a Upes que ocupa as escolas. São os estudantes que ocupam as escolas. A Upes representa os estudantes", disse. "Nenhum estudante é contra o Enem. Contra o Enem é o ministro da Educação. Isso é estrategia do governo federal de desmobilizar, assim como o governo estadual, para deslegitimar o movimento", completou.

Ocupações em escolas no Paraná

Em crescimento diário durante três semanas, desde o dia 3 deste mês, o movimento Ocupa Paraná perdeu força nos últimos dias. Na sexta-feira passada, eram 850 colégios ocupados, mais de 40% do total de 2,1 mil, segundo balanço do grupo – o último divulgado.

Ontem, de acordo com a Secretaria de Estado da Educação (Seed), eram 752 escolas ocupadas, número 11,5% menor que semana passada. Na segunda-feira, antes mesmo da morte do adolescente no C.E. Santa Felicidade, o número informado pela Seed era de 792. Um dos colégios desocupados no fim de semana foi o C.E. São Braz, em Curitiba, que voltou às atividades normais anteontem.

Depois da tragédia, outros 40 colégios foram desocupados – incluindo o Santa Felicidade – entre saídas voluntárias e outras forçadas por decisões judiciais favoráveis ao Estado.

Entre os colégios desocupados por reintegração de posse estão pelo menos três em Ponta Grossa, onde a Justiça deu 21 liminares. As notificações aconteceram ontem e seguem hoje (os estudantes têm 24h para cumprir a decisão).

Ontem, a PGE (Procuradoria-Geral do Estado reforçou o apelo ao Poder Judiciário para que determine a imediata reintegração de escolas ocupadas. “Fere o direito da maioria que deseja trabalhar e estudar”, declarou o procurador-geral do Estado, Paulo Sérgio Rosso.