Estudantes mantêm ocupação da UTFPR mesmo com ordem de reintegração de posse

Narley Resende


O grupo de estudantes que tomou a sede da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) mantém a ocupação, mesmo com mandado de reintegração de posse concedido pela Justiça.

O oficial de Justiça notificou os estudantes por volta das 19 horas de sábado, com prazo de uma hora para desocupação, mas a determinação foi ignorada. Os estudantes teriam decidido em assembleia manter a ocupação. A juíza federal Danielle Perini Artifon determinou nesse sábado a reintegração de posse do prédio tomado na sexta-feira.

O grupo protesta contra a PEC 55 (Proposta de Emenda Constitucional 55) que congesla gastos primários da União por 20 anos.

Ao longo do sábado, houve tumulto envolvendo um grupo contrário à ocupação. Em aparente maioria, outros estudantes que estavam fora da Universidade forçaram e danificaram uma das portas para remover uma barrigada formada por tijolos de concreto. Uma janela também foi forçada.

Apesar das investidas e dos momentos de tensão, a ocupação foi mantida. Não há informação sobre a postura do movimento de ocupação quanto ao cumprimento da decisão judicial de reintegração do prédio.

Grupos contrários continuam pressionando para que o prédio seja desocupado. Um dos argumentos é o calendário de provas que será prejudicado, além dos poucos dias que faltam para o fim do calendário letivo.

Vestibular alterado

A UTFPR era um dos locais de prova do vestibular da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) que precisou ser transferido por causa da ocupação. O novo endereço para a realização do exame foi na Faculdade Opet, no bairro Rebouças.

As provas são aplicadas em etapa única pela manhã, das 8h30 às 11h30, e à tarde, das 15h às 19h. No total, serão disputadas 1.228 vagas em 65 cursos de graduação distribuídos pelos campi de Cascavel, Foz do Iguaçu, Toledo, Marechal Cândido Rondon e Francisco Beltrão. Ao todo, 13 mil estudantes se inscreveram para esta edição do concurso.

Ocupação

Em uma página no Facebook, o grupo manfesta os motivos da ocupação. Leia uma das mensagens na íntegra:

“Nós, parte do movimento estudantil da UTFPR Curitiba, campus Centro, primeiramente agradecemos a todas e todos que compareceram se entregando e se arriscando em prol de uma causa que a cada minuto faz mais sentido; uma causa genuína a todas e todos que se sentem na responsabilidade, enquanto cidadãos, de zelar pela boa conduta de direito não para um grupo privilegiado somente, mas principalmente às minorias.

Estamos firmes na luta.

Resistimos a todo momento, porque para alguns é inaceitável um dia sem aula. Hoje, propomos um novo modelo de aula: feita por estudantes na luta pela educação pública e de qualidade.

Querem nos tirar à força.

Mas estamos fortes, porque nosso objetivo é justo!

Viemos repassar o que vem acontecendo dentro da ocupação da UTFPR Campus Curitiba, que se dá desde as 23h, do dia 18 de Novembro de 2016.

Até a manhã de hoje, toda a ação se deu pacificamente, inclusive com prestadores de serviços da segurança no mesmo local (em anexo, carta assinada pelos seguranças).

Em momento algum, esses servidores foram “rendidos”, “ameaçados”, ou “tiveram seus celulares tomados por estudantes”.

Por volta das 7h da manhã do dia 19, manifestantes contrários a ação tentaram invadir a ocupação e assim fizeram. Usaram de força para arrombar a porta da entrada da 7 de setembro. Também proferiram agressões verbais, principalmente às mulheres.

Através do megafone o movimento tentou um diálogo sem sucesso. Disponibilizamos o manifesto da nossa organização impresso e frisamos a legitimidade do nosso ato, como posição contraria a medidas do Governo Federal, postura que temos por direito.

Depois de algumas discussões rasas, os manifestantes foram atravessando os portões da faculdade e grosseiramente destruindo a barricada de proteção que tinha sido feita. O vídeo pode ser visto nessa mesma página.

A partir do momento que os manifestantes adentraram o prédio da universidade os ocupantes evacuaram o bloco E e fecharam os portões, fazendo nova barricada.

Os manifestantes então começaram a destruir todos os objetos da barricada, bem como o próprio portão (entre os blocos E e F). Dessa forma, conseguiram abrir parte deste portão, subiram na barricada e faziam pressão para desocupação.

Desde a tomada do bloco E pelos manifestantes contrários, nós evacuamos o espaço. Em momento algum houveram depredações por nossa parte.

Tentamos argumentos como:
– O ato de ocupação e totalmente legitimo,
– As aulas que os estudantes possivelmente perderam seriam compensadas
– Trata-se de uma questão acima de dias de aula, semestres…
Mas a discussão não progredia.
Um representante da universidade tentou intervir (apesar de não coibir a continuação das agressões ao patrimônio e agressões verbais aos ocupantes).
Alunos, mediante grande pressão concordaram com este representante que uma análise de acordo fosse feita, assim que pedissem assembleia junto ao advogado do movimento.

Assim foi feito, e enquanto deliberavam foram surpreendidos com nova invasão, pelo mini auditório que tem acesso pela 7 de setembro, dada pelo arrombamento de portões – atitude que nós, como movimento coletivo, não tomamos em nenhum momento.

Na tentativa de impedir a entrada dos manifestantes da “desocupação”, o movimento Ocupa UTFPR formou um cordão humano e fez força contrária. A situação se transformou em embate físico, onde os manifestantes, em numero de 3 a 4, puxavam as participantes e os participantes do movimento, com total uso de força.

Próximo das 15h15 os manifestantes contrários a ocupação soltaram uma bomba perto do mini auditório.
Os discursos de ódio estão mais que presentes, são em muitos momentos a base do “diálogo” deles.
Pedimos a todas e todos que somem como resistência em nossa manifestação legítima.

Pedimos apoio.
Buscamos uma sociedade menos passiva às decisões do Governo.

Seguimos em luta.

Ocupa UTFPR”

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