Estudantes paranaenses fazem manifestações contra medidas de Temer para a educação

Andreza Rossini


Cerca de 60 colégios estaduais de Curitiba e Região Metropolitana realizam manifestações, nesta terça-feira (4), contra a Media Provisória (MP) apresentada pelo presidente Michel Temer para a educação, que é de adesão facultativa nos estados.

De acordo com o presidente da União Paranaense dos Estudantes Secudaristas (UPES), Matheus dos Santos, os alunos aguardam o posicionamento do governo do Paraná. “A medida tira uma série de matérias e só vai piorar o ensino médio. A galera está se mobilizando. Estamos entrando em contato com a Secretaria Estadual de Educação para saber se vai ter adesão aqui e, se tiver, as mobilizações vão ficar mais enérgicas”, afirmou.

Na quarta-feira (5), acontece uma mobilização nacional dos estudantes contra a medida. Em Curitiba, os alunos devem se reunir na Praça Santos Andrade, a partir das 10 horas. O ato é organizado no Facebook.

A expectativa de Matheus é de que, nos próximos dias, a UPES tenha uma resposta concreta do que será feito no Paraná. “Se a resposta for negativa a adesão as mobilizações devem parar”, afirmou.

Alguns dos colégios participantes paralisaram as atividades e os alunos não devem voltar para a sala de aula, antes de uma resposta do governo.  Em São José dos Pinhais, na RMC, os alunos realizaram a primeira ocupação em uma escola estadual contra as medidas de Temer.

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Estudantes do Instituto Federal do Paraná, campus de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, realizaram uma paralisação na segunda-feira (2). O movimento foi organizado pelas redes sociais e, inicialmente só seria realizado no período da manhã, mas foi estendido durante todo o dia.

Medida de Temer

Os dois únicos componentes curriculares obrigatórios nos três anos do ensino médio serão português e matemática, de acordo com novo modelo apresentado por Temer. Atualmente, são 13 matérias obrigatórias.

Os componentes que devem ser obrigatoriamente ensinados vão ser definidos na Base Nacional Comum Curricular, que deve começar a ser discutida neste mês e ser definida até meados de 2017, de acordo com o Ministério da Educação.

De acordo com a medida provisória, cerca de 1,2 mil horas, metade do tempo total do ensino médio, serão destinadas ao conteúdo obrigatório definido pela Base Nacional. No restante da formação, os alunos poderão escolher seguir cinco trajetórias: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas – modelo usado também na divisão das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – e formação técnica e profissional.

O texto, que modifica a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/1996), determina o fim da obrigatoriedade do ensino de arte e de educação física no ensino médio. As disciplinas serão obrigatórias apenas no ensino infantil e fundamental.

No Paraná, as mudanças só devem ser implantadas a partir de 2018. A superintendente da Secretaria de Estado da Educação, Fabiana Campos, explica que as mudanças precisam ser discutidas com profundidade. Por isso, 2017 deve ser um período preparatório e, por enquanto, tudo permanece igual. “A gente não vai, nesse momento, fazer nenhuma interferência. O MEC disponibilizou para a gente este tempo, o ano de 2017, para trabalharmos em cima disso e iniciarmos em 2018”, afirma.

A APP–Sindicato, que representa professores e profissionais da rede estadual de ensino, criticou a forma como o governo pretende implementar as mudanças – por Medida Provisória.  Já o sindicato que representa as escolas particulares se posiciona a favor do governo federal.

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