Transporte público de Curitiba desperdiça tempo e dinheiro dos usuários, diz estudo

Thaissa Martiniuk - Bandnews FM Curitiba


Um estudo feito pelo programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana da PUC-PR revelou que o transporte público de Curitiba desperdiça tempo e dinheiro dos usuários. O projeto da arquiteta e urbanista Jaqueline Massuchetto mostra que a chamada integração tarifária temporal, que é aquela em que o passageiro paga apenas uma passagem e utiliza as linhas de ônibus de forma ilimitada por um período de tempo, traria mais benefícios aos passageiros.

A pesquisadora explica que essa forma de integração seria uma alternativa para otimizar e reorganizar a rede de transporte coletivo da cidade.

“Tudo isso tem que ser repensado. Mas continuamos ganhando prêmios, o que reforça que Curitiba é extremamente inovadora. Quem mora, vive e usa o transporte coletivo da cidade não vê isso no dia a dia. Eu realmente gostaria que os gestores e responsáveis pelo sistema de transporte dependessem e usassem o transporte público para verem que existe muita coisa para ser melhorada e existem soluções. O que falta é repensar o sistema”, comentou.

O estudo foi feito com base em dados da pesquisa origem-destino do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e focou na escolha de rotas dos usuários em mais de cinco mil viagens. De acordo com Jaqueline Massuchetto, foram traçados dois tipos de rotas: uma em que o usuário pagava uma passagem e utilizava a gratuidade oferecida pela integração física, em que as conexões são restritas ao terminais e estações-tubo e outra em que o passageiro fazia conexões em qualquer ponto de ônibus.

A conclusão, segundo a arquiteta, foi a de que a alternativa apresentada pela administração municipal atual traz não só impactos financeiros ao usuário, mas também aumenta o tempo de viagem entre a origem e o destino.

“Concluímos que há uma queda de 1/4 do tempo dos usuários. Em alguns casos, a metade do deslocamento rodado. Fatalmente, se você precisa ir até um terminal para poder continuar seu trajeto sem gastar uma nova passagem, você tem que andar muito mais que você precisaria. A gente entende isso como deslocamento negativo, o que é uma penalidade para o usuário”, avaliou.

Para a pesquisadora, é necessário que os governantes parem de rotular a capital paranaense como um município que possui um modelo de transporte público coletivo que deve ser copiado por outros estados. Jaqueline Massuchetto explica que essa foi a realidade de Curitiba na década de 90 com a criação do BRT, mas atualmente a cidade tem um sistema obsoleto e enfrenta entraves como a falta de integração, poucos veículos e terminais inadequados.

“Curitiba tem que parar de se comparar com outras cidades. Curitiba compete com Curitiba, não com Londres. Temos que ser melhores do que éramos ontem. Esse argumento de pensar que na cidade x é pior, isso não ajuda Curitiba evoluir em nada. Tem que ser revisto. Poderíamos, tranquilamente, estar trabalhando com integração moldal. Temos o mesmo sistema, funcionando do mesmo jeito, desde 1990”, completou.

Na pesquisa foram entrevistadas 74 mil pessoas que utilizavam o transporte público coletivo com origem e destino dentro de Curitiba. A arquiteta e urbanista diz que pretende apresentar os resultados do estudo para representantes da prefeitura de Curitiba, do Ippuc e da Urbs.

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