Estudo no Paraná confirma que Covid-19 pode provocar tromboses no coração

Leonardo Gomes - BandNews FM Curitiba

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Um estudo confirmou que a Covid-19 pode provocar tromboses no coração chegando a morte de pacientes. Conforme a pesquisa, foram observadas lesões na célula endotelial – que reveste o vaso sanguíneo – em pessoas que já foram infectadas pela doença. A constatação faz parte de uma série de estudos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e foi publicada nos últimos dias em revistas científicas internacionais.

A professora e uma das responsáveis pelo estudo, Lucia de Noronha, afirma que para chegar aos resultados, foram analisadas amostras de pacientes com idade média de 75 anos e com comorbidades como hipertensão arterial, diabetes e obesidade que morreram pela Covid-19.

“A gente faz uma pequena incisão no tórax dos pacientes e retira alguns pedaços do pulmão depois que o paciente vem a óbito. A gente percebeu, no microscópio, que essa camada de células chamada endotélio estavam lesadas, pelo próprio vírus ou pela inflamação causada por ele. Quando você danifica ele, você lentifica a circulação do sangue, é como se o trânsito ficasse engarrafado”, explica Noronha.

Outro estudo conduzido pelos pesquisadores aponta que as pessoas com a Covid-19 têm mais mastócitos – que são células ligadas a reações alérgicas – do que pacientes infectados por outros tipos de doenças respiratórias, como o H1N1.

Isso sugere que a célula pode ter um papel na evolução da doença e ajuda a compreender como a doença provoca lesões nos pulmões e em outros órgãos, como o coração.

“O mastócito é uma célula que também pode causar dano vascular e contribuir para a trombose. Ele nos causou muita surpresa porque já que está presente em todo corpo, podemos imaginar que essa lesão pode estar acontecendo em todo o corpo”, completa a pesquisadora.

Ambas as pesquisas estão inseridas em um projeto do Hospital Marcelino Champagnat, sobre o coronavírus. Há estudos envolvendo tanto análises de amostras de pacientes que morreram por conta da doença como pesquisas com pacientes que sobreviveram, bem como estudos de imagem e dados clínicos.

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