Ex-deputado Carli Filho apela por redução da pena pela morte de dois jovens

Fernando Garcel

O ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho, condenado pelo Tribunal do Júri por duplo homicídio com dolo eventual de Carlos Murilo de Almeida e Gilmar Rafael Yared, recorreu da sentença e pediu a redução da pena de 9 anos e 4 meses de prisão. O crime aconteceu em 2009 e o julgamento em fevereiro deste ano.

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Além de recorrer da sentença, a defesa também mudou a estratégia. Antes, a tese dos advogados estava concentrada em provar que o homicídio foi culposo, quando não há intenção de matar, mas agora a apelação não discute esse fundamento da condenação.

As razões de apelação, como é chamado o recurso, foram protocoladas na noite de segunda-feira (28) e o Ministério Público tem prazo de 15 dias para apresentar as contrarrazões.


Relembre o caso

Na madrugada do dia 7 de maio de 2009, Carli Filho dirigia a pelo menos 160 Km/h com a carteira de motorista cassada. O carro, um Passat blindado, decolou do asfalto e arrancou o teto do Honda Fit de Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo, que morreram antes da chegada do socorro. O ex-deputado foi levado para o hospital com um quadro grave e instável, ficou na UTI, respirando por aparelhos. Ainda no hospital, um exame indicou que Carli Filho tinha 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue. Por ter sido feito sem consentimento, a defesa conseguiu que o teste fosse desconsiderado como prova.

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Logo após o acidente – que matou os dois jovens na hora e deixou Carli Filho hospitalizado por um mês – as circunstâncias começaram a pesar contra o ex-deputado: ele estava com a carteira de motorista suspensa, com 130 pontos e 30 multas, das quais 23 por excesso de velocidade.

Condenação

Quase nove anos depois do crime, o Tribunal do Júri julgou o caso e considerou Carli Filho culpado pela morte dos dois jovens. Ele foi condenado a nove anos e quatro meses de reclusão em regime fechado por duplo homicídio com dolo eventual, por ter assumido o risco de causar morte por dirigir embriagado (testemunhas oculares narraram que ele estava alcoolizado quando saiu de um restaurante momentos antes do acidente) e em alta velocidade.

Mesmo com a condenação em primeira instância, Carli Filho recorre em liberdade.

Na leitura da sentença, o juiz responsável pela 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, Daniel Surdi de Avelar, destacou que Carli Filho é réu primário, tem residência fixa, compareceu em todos os autos do processo e não possui outras ações penais em andamento ao ler a sentença no final da tarde de quarta-feira (28). Com bom comportamento na cadeia, a Lei de Execução Penal permite que réus primários ganhem a saída temporária após cumprir um sexto da pena. No caso, o ex-deputado poderia progredir para o regime semiaberto após cumprir 18 meses na prisão.

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