Mais de 10 anos após acidente, ex-deputado Carli Filho se apresenta para ficar detido

Vinicius Cordeiro e Angelo Sfair


Luiz Fernando Ribas Carli Filho se entregou à Vara de Execuções Penais de Guarapuava, na região central do Paraná, na tarde desta terça-feira (28). De acordo com a apuração da reportagem, ele entrou no Fórum no início da tarde, por volta das 13h30, mas o recolhimento da Vara só aconteceu às 15h36, que confirmou a informação.

O ex-deputado estadual foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) a sete anos, quatro meses e 20 dias de prisão em regime semiaberto. Ele foi culpado por dirigir alcoolizado, em alta velocidade e com a Carteira Nacional de Habilitação cassada, no dia 7 de maio de 2009, e causar o acidente que gerou a morte dos jovens Gilmar Rafael Yared, de 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, de 20.

POSSÍVEL SAÍDA

Apesar de se apresentado, Carli Filho teve sua audiência de custódia agendada ainda para hoje. Ou seja, é possível que ele saia com a tornozeleira eletrônica ainda nesta terça. Vale lembrar que, desde o acidente, ele passou por júri popular e diversas audiências, mas nunca passou um dia detido.

Ontem, o TJ-PR determinou um prazo de 24 horas – que iria até às 19h – para ele que ele se apresentasse.

Em contato com a reportagem, o advogado Roberto Brzezinski Neto criticou a forma como o mandado de prisão foi expedido. Ele afirma que Carli Filho irá cumprir a pena da forma como foi determinada pelo Tribunal de Justiça.

PRISÃO FRUSTRADA

O Ministério Público (MP-PR) informou a Justiça nesta segunda-feira (27) que equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) falharam ao encontrar Carli Filho no dia 24 de maio, data em que o mandado de prisão contra o ex-deputado foi expedido. O capitão Juliano Klosovski Borges relatou que os policiais visitaram diversos endereços de Guarapuava na tentativa de encontrá-lo: a casa informada pelo condenado, uma fábrica, uma rádio que pertence à família Ribas Carli e um segundo endereço residencial.

Neste último apartamento, duas funcionárias disseram desconhecer o paradeiro de Carli Filho. A zeladora do prédio informou que não via o moradora há vários dias; no aparatamento dele, uma funcionária avisou os agentes do Gaeco que o ex-deputado havia viajado pela manhã.

REDUÇÃO DA PENA

Em júri popular, Carli Filho foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão, em regime fechado, mas teve a pena reduzida para 7 anos e 4 meses em regime semiaberto pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).

Uma perícia mostrou que Carli Filho dirigia seu Passat Variant blindado, a 167 km/h no momento da colisão e testemunhas disseram que ele estava visivelmente embriagado quando deixou o bar em que estava com amigos e saiu dirigindo naquela noite. A Carteira Nacional de Habilitação (CNH) estava cassada.

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