Ex-funcionária relata momentos de terror em creche denunciada por maus-tratos

Fernando Garcel e Lucian Pichetti - CBN Curitiba


Uma ex-funcionária da Escola de Educação Infantil Cimdy, no bairro Água Verde, em Curitiba, relatou momentos de terror vividos por ela e principalmente pelos alunos da instituição em 1999. A mulher foi uma das 54 pessoas ouvidas pelo inquérito do Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente), que indiciou a proprietária, Jussara Pazim, de 64 anos, pelo crime de tortura-castigo contra alunos da escola.

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Ela conta que já nos primeiros dias percebeu atitude estranha da diretora e proprietária. Segundo ela, as crianças choravam muito na hora do almoço.

A funcionária relata que as torturas reveladas pela investigação do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) já ocorriam há 20 anos. Ela narra as cenas em que as crianças eram obrigadas a comer o próprio vômito e sufocadas para dormir.

A funcionária conta que deixou a instituição após defender um aluno que era maltratado e ser ameaçada pela diretora. Segundo ela, em um dia frio típico de Curitiba, a diretora estava dando banho frio em um criança que havia feito as necessidades na calça. Nessa ocasião, ela teria sido ameaçada por Jussara.

Na época, a ex-funcionária tinha 23 anos e relata que o período foi o pior de sua vida e a deixou com traumas.

Em 2011, a diretora já havia sido denunciada por uma mãe. A funcionária conta que se prontificou a prestar depoimento contra Jussara e que foi ameaçada por telefone. Por conta das ameaças e diversas ligações, ela teve que se mudar para outro bairro e conta que o caso a levou a depressão.

Inquérito

Na última sexta-feira, o Nucria concluiu o inquérito que apurou a denúncia de maus tratos e Jussara foi indiciada pelo crime de tortura-castigo. “Tortura-castigo é caracterizada física e psicologicamente. Não é só agredir, chacoalhar as crianças… foi verificado que ela forçava as crianças a comer, as crianças vomitavam na comida e ela forçava a comer com o próprio vômito. Ela fazia fila no banheiro para dar palmada, deixava as crianças sentadas no banheiro por horas”, conta a delegada Ellen Victer, uma das responsáveis pela investigação.

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Outros funcionários e ex-funcionários também colaboraram com a investigação e relataram temer represálias da proprietária. “Ela sempre falava que podiam denunciar ela porque conhecia delegados, juízes e promotores e que nada aconteceria com ela e quem quisesse entrar com ação trabalhista poderia e não teria problema nenhum”, disse o delegado José Barreto.

Diante da repercussão do caso, a escola foi fechada. Em nota a instituição alega que “a denúncia não define a conduta e a atuação da escola, a qualidade de seu histórico, nem a credibilidade de toda a equipe de profissionais que nela ou com ela trabalham”.

Agora, o inquérito está com o Ministério Público do Paraná (MPPR) que fica responsável de denunciar a proprietária à Justiça.

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