Ex-prefeito pagava mensalinhos para ter projetos aprovados, diz promotor

Com Tabata ViapianaDeflagrada pela 2ª Promotoria de Justiça de Antonina, no Litoral do Paraná, na quinta-feira (23), a O..

Fernando Garcel - 24 de março de 2017, 13:42

Com Tabata Viapiana

Deflagrada pela 2ª Promotoria de Justiça de Antonina, no Litoral do Paraná, na quinta-feira (23), a Operação Gran Hermano prendeu o ex-prefeito da cidade na gestão 2013-2016, um ex-assessor dele e mais dois ex-vereadores. Eles são investigados por crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e associação criminosa.

De acordo com o promotor Thiago Saldanha, foram encontrados indícios de que o ex-prefeito João Domero (PSC) pagava “mensalinhos” aos ex-vereadores para garantir apoio político e ampla maioria na Câmara Municipal. Os dois ex-vereadores presos inclusive votaram a favor do ex-prefeito em um processo de cassação de mandato. O MP não descarta a hipótese de que os ex-vereadores tenham extorquido o ex-prefeito.

"Os vídeos dão a entender que o ex-prefeito sofreu uma forte influencia e pressão dos vereadores e que havia essa 'chantagem' junto a ele para que se conseguisse base para aprovação de seus projetos. Dá a entender que não era uma iniciativa do Executivo, mas de alguns membros do Legislativo para fazer extorsões ao ex-prefeito", declarou Saldanha.

Em outra operação realizada em Antonina, pela 1ª Promotoria de Justiça da cidade junto com a Polícia Militar, um ex-secretário municipal de Planejamento e Obras Públicas foi preso acusado de desvio de dinheiro público. Também foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, além do sequestro de bens que seriam objetos de lavagem de dinheiro.

Por mais de um ano, o MP investigou o desvio de verbas públicas, ocorrido entre 2013 e 2016, durante a gestão do então secretário de Planejamento e Obras Públicas. A partir de quebras de sigilo fiscal e bancário, a investigação apurou que o ex-secretário recebia valores desproporcionais aos seus rendimentos, que seriam “lavados” com a aquisição de bens registrados em nome de familiares.

A ação é resultado da Operação Tangentopoli, uma referência ao caso precursor da operação italiana “Mão Limpas” e que significa “cidade da propina”. O objetivo, segundo o promotor Thiago Saldanha, é mostrar que Antonina não está livre de casos de corrupção. "Foi exatamente para passar a mensagem a população que Antonina não é livre da situação que vemos no país inteiro. É uma corrupção endêmica e capilarizada em todos os Poderes aqui do município", afirma o promotor.