Porco “Estiven Bacon” pode mudar legislação no PR

Narley Resende

O exílio do mini porco “Estiven Bacon”, que ficou conhecido por ter sido expulso de um bairro de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, pode estar com os dias contados. Vereadores do município receberam nesta semana uma proposta do prefeito Marcelo Rangel (PPS) para alterar a legislação que proíbe a criação de suínos em áreas urbanas de Ponta Grossa.

Criado pela veterinária Fernanda Mathias no quintal de casa como animal de estimação, Estivem foi denunciado pela vizinhança e teve que ser mandado embora. Atualmente, Fernanda aguarda uma solução enquanto Estivem está hospedado em um criadouro no Interior de São Paulo.

Fernanda conta que recebeu a promessa de vereadores da cidade de que o caso seria resolvido o mais rápido possível. “Já protocolaram o pedido de alteração da lei. Ele [o vereador George] falou que quer fazer a votação ainda neste ano para o Estiven voltar pra casa. Enquanto a lei não alterar infelizmente ele vai ter que ficar em São Roque. Se não conseguir esse ano, porque eles entram em recesso dia 20 de dezembro, aí só em fevereiro”, aguarda.

Denúncia

O ‘mini pig’ tem um ano e dois meses de vida, e morava em Ponta Grossa desde o dia 15 de novembro de 2016. Depois de receber uma denúncia, o Departamento de Zoonoses do município constatou a situação irregular do mini-porco e notificou a proprietária. Uma lei municipal de 2007 proíbe a criação de suínos, entre outros animais, em área urbana.


Foto: Fernanda Mathias / aquivo pessoal
Estivem Bacon ainda filhote, em 2016. Foto: Fernanda Mathias / aquivo pessoal

“Ele foi lá achando que era uma criação de porcos. Ele viu que não tinha nada a ver com a denúncia, só que pelo fato de eu ter um mini porco e ser um caso a parte do que eles estão acostumados – porque normalmente quando tem denúncia são 30, 40, 70 suínos para abate -, mas como é diferente pediram para eu levar a documentação dele. Por causa do artigo da lei eles me deram 30 dias para tirar ele [Estiven] daqui”, lamenta.

Fernanda não sabia que era “tão” proibido

O amado animal de estimação, foi ‘encaixotado’ e enviado para um criadouro no município de São Roque, no Interior de São Paulo. Fernanda conta que o porco convivia com os cachorros dela e que não causava problemas para a vizinhança.

“Na minha casa ele ficava jundo com os meus cachorros. Eu tenho uma Golden [Retriever] e uma vira-latas. E ficava junto com as minhas galinhas, que por causa da denúncia também tive que me desfazer. Também não sabia que era proibido. Até desconfiava que era proibido, mas não sabia que era tão proibido”, conta.

Com a expulsão do bichinho, houve repercussão imediata na cidade e até o prefeito, Marcelo Rangel, do PPS, se pronunciou. Mais que isso. O prefeito lançou uma campanha nas redes sociais para trazer de volta o mini-porco para a cidade. “DEVOLVAM o Estiven por favor!”, clamou o prefeito na internet.

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O projeto prevê a possibilidade de permanência de animais exóticos em área urbana desde que não sejam destinados ao abate e que não tragam problemas sanitários. O dono também teria que assinar um termo de responsabilidade pelo animal e comprometido com normas de higiene.

Apesar do esforço das autoridades do município, a norma pode esbarrar em regulamentações estaduais, como do código de saúde do Estado, ou mesmo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Mini pig 

O mini porco (mini pig), que tem se popularizado como animal doméstico de estimação, tem de 40 a 60 centímetros de altura e adulto pesa até 40 quilos, como é o caso de Estivem, que sofre de obesidade. “Ele está fazendo um regime agora. É como um spa lá em São Roque”, diz Fernanda, que pagou cerca de R$ 2 mil pelo mini porco ainda filhote.

De acordo com especialistas, é um animal que costuma ser dócil e inteligente, mas como cães e gatos, o mini pig também pode ficar agressivo e até mesmo morder se não for educado.

 

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