Explosão do apartamento em Curitiba: Justiça aceita denúncia e três viram réus

Angelo Sfair e Vinicius Cordeiro

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A Justiça aceitou a denúncia do MPPR (Ministério Público do Paraná) sobre a explosão do apartamento do Água Verde, em Curitiba, em junho deste ano que vitimou uma criança de 11 anos. Agora os donos da empresa de impermeabilização, assim como seu funcionário, são réus. Ou seja, o trio responderá por homicídio com dolo eventual – quando se assume o risco de matar.

O documento foi expedido nesta quarta-feira (23), um dia após a apresentação da denúncia. Quem assinou foi o juiz Daniel Surdi de Avelar, da 2ª Vara do Tribunal do Júri.

José Roberto Porto Correa e Bruna Formankuevisky Lima Porto Correa, responsáveis pela Impeseg Higienização e Impermeabilização, são acusados de um homicídio consumado e dois tentados, com as qualificadoras de motivo torpe e uso de explosão.

Além deles, o técnico Caio Santos responde pelos menos crimes, mas sem a qualificadora do motivo torpe.

“Os indícios de autoria e participação, em relação aos 3 (três) denunciados, assim como a assunção do risco de produzir o resultado morte, podem ser aferidos pelos termos de declarações, notas fiscais, ata notarial, laudos, boletins de ocorrência, relatórios e demais elementos de informação, constantes da investigação policial (…)”, afirma o magistrado na decisão.

A EXPLOSÃO NO APARTAMENTO DE CURITIBA

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Momento que as chamas tomaram conta do apartamento. (Colaboração)

A explosão aconteceu no Água Verde, por volta das 9h40 do dia 29 de junho, em um apartamento da Rua Dom Pedro I, no bairro Água Verde, em Curitiba. A força do impacto derrubou as paredes do sexto andar. Estilhaços de vidro e concreto se espalharam pela região. Moradores da região e pessoas que trabalham no entorno compararam o barulho à queda de um avião.

No momento da explosão, quatro pessoas estavam dentro do apartamento. Um menino de 11 anos dormia em um dos quartos e morreu após ser arremessado do sexto andar. Mateus Lamb passava o final de semana na casa da irmã e do cunhado. Raquel Lamb, de 23 anos, e Gabriel Araújo, de 27, passaram mais de um mês internados. No caso de Raquel, as queimaduras atingiram 80% da superfície corporal, enquanto Gabriel teve 30% do corpo queimado.

A quarta vítima foi o técnico de impermeabilização Caio Santos, acusado por homicídio com dolo eventual junto aos donos da Impeseg, José Roberto Porto Correa e Bruna Formankuevisky Lima Porto Correa. Ele também passou semanas internados na UTI do Hospital Evangélico-Mackenzie até se recuperar das queimaduras.

INVESTIGAÇÕES RESPONSABILIZAM DONOS

laudo pericial produzido pela Deam (Delegacia de Explosivos, Armas de Munições) relatou com detalhes as condições em que o apartamento foi encontrado no dia da explosão. A análise da perícia foi juntada ao conjunto probatório levantado no curso das investigações.

De acordo com as investigações da Polícia Civil, a explosão foi causada pelo produto químico usado pelo técnico para impermeabilizar o sofá da família. Raquel Lamb, dona do apartamento, disse à polícia que acendeu uma das chamas do fogão porque não foi orientada sobre os riscos. Funcionários da empresa Impeseg – responsável pelo serviço – disseram que não sabiam que o produto usado era inflamável.

Além disso, quatro funcionários da empresa de impermeabilização envolvida na explosão afirmaram, em depoimento, que os produtos inflamáveis eram armazenados em frascos de shampoos. O dono da Impeseg, José Roberto Porto Correa, confessou que manipulava os químicos sem autorização para chegar até a fórmula final aplicada nos sofás e estofados dos clientes.

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