Explosão em Curitiba: acusados por homicídio, donos de empresa de impermeabilização podem ir a júri popular

Angelo Sfair

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Os donos da empresa de impermeabilização apontada como a culpada pela explosão de um apartamento em Curitiba, em junho, foram acusados criminalmente pela morte de um garoto de 11 anos, vítima do acidente. O funcionário que realizava o serviço no sofá da família também foi denunciado pelo MPPR (Ministério Público do Paraná). Juntos, os três responderão por homicídio com dolo eventual – quando se assume o risco de matar. Eles podem ser submetidos ao júri popular.

A denúncia criminal foi apresentada ao Tribunal do Júri de Curitiba nesta terça-feira (22). Caberá à 2ª Vara do tribunal analisar o caso. O casal de donos da Impeseg Higienização e Impermeabilização, José Roberto Porto Correa e Bruna Formankuevisky Lima Porto Correa, foram acusados por um homicídio consumado e dois tentados, com as qualificadoras de motivo torpe e uso de explosão. O técnico Caio Santos foi denunciado pelos menos crimes, mas sem a qualificadora do motivo torpe.

EXPLOSÃO EM APARTAMENTO DE CURITIBA

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Com a força da explosão, paredes cederam e estilhaços se espalharam por toda parte. (Foto: Divulgação/PCPR)

A explosão aconteceu às 9h40 do dia 29 de junho, em um apartamento da Rua Dom Pedro I, no bairro Água Verde, em Curitiba. A força do impacto derrubou as paredes do sexto andar. Estilhaços de vidro e concreto se espalharam pela região. Moradores da região e pessoas que trabalham no entorno compararam o barulho à queda de um avião.

No momento da explosão, quatro pessoas estavam dentro do apartamento. Um menino de 11 anos dormia em um dos quartos e morreu após ser arremessado do sexto andar. Mateus Lamb passava o final de semana na casa da irmã e do cunhado. Raquel Lamb, de 23 anos, e Gabriel Araújo, de 27, passaram mais de um mês internados. No caso de Raquel, as queimaduras atingiram 80% da superfície corporal, enquanto Gabriel teve 30% do corpo queimado.

A quarta vítima foi o técnico de impermeabilização Caio Santos, acusado por homicídio com dolo eventual junto aos donos da Impeseg, José Roberto Porto Correa e Bruna Formankuevisky Lima Porto Correa. Ele também passou semanas internados na UTI do Hospital Evangélico-Mackenzie até se recuperar das queimaduras.

Caio, assim com José Roberto e Bruna, também poderá sentar no banco dos réus e responder ao júri popular.

INVESTIGAÇÕES RESPONSABILIZAM DONOS

laudo pericial produzido pela Deam (Delegacia de Explosivos, Armas de Munições) relatou com detalhes as condições em que o apartamento foi encontrado no dia da explosão. A análise da perícia foi juntada ao conjunto probatório levantado no curso das investigações.

De acordo com as investigações da Polícia Civil, a explosão foi causada pelo produto químico usado pelo técnico para impermeabilizar o sofá da família. Raquel Lamb, dona do apartamento, disse à polícia que acendeu uma das chamas do fogão porque não foi orientada sobre os riscos. Funcionários da empresa Impeseg – responsável pelo serviço – disseram que não sabiam que o produto usado era inflamável.

Além disso, quatro funcionários da empresa de impermeabilização envolvida na explosão afirmaram, em depoimento, que os produtos inflamáveis eram armazenados em frascos de shampoos. O dono da Impeseg, José Roberto Porto Correa, confessou que manipulava os químicos sem autorização para chegar até a fórmula final aplicada nos sofás e estofados dos clientes.

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Detalhe do pulverizador do produto usado para impermeabilizar estofados. Polícia Civil está na reta final de investigação. (Foto: Reprodução/PCPR)

 

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