Explosão em Curitiba: donos de empresa de impermeabilização podem ser indiciados por homicídio

Angelo Sfair

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Depois de ouvir pelo menos quatro testemunhas no inquérito que apura a explosão de um apartamento em Curitiba, a Polícia Civil do Paraná (PC-PR) identificou contradições nos depoimentos que podem levar os donos de uma empresa de impermeabilização de estofados ao indiciamento por homicídio. A explosão aconteceu no último sábado (29/06). Uma criança de 11 anos morreu e três pessoas ficaram gravemente feridas.

As investigações apontam que a causa mais provável do acidente foi a combustão de produtos químicos usados para a impermeabilização de um sofá. A empresa Impeseg Higienização e Impermeabilização, responsável pelo serviço, sustenta que a explosão foi uma fatalidade.

O delegado que preside o inquérito, Adriano Chohfi, afirma que ainda é cedo para o indiciamento, mas que confirmou que três crimes estão sob investigação: explosão, lesão corporal e homicídio. Testemunhas e funcionários da empresa são ouvidos na Delegacia de Explosivos, Armas e Munições de Curitiba (Deam).

As oitivas realizadas até o momento apontaram contradições suficientes para que José Roberto Porto Correa e Bruna Formankuevisky Lima Porto Correa — donos da Impeseg Higienização e Impermeabilização — sejam indiciados. O inquérito deve levar entre 30 e 40 dias para ser concluído.

“As investigações em andamento ainda apuram se a empresa assumiu os riscos”, explicou Chohfi.

Contradições

Em depoimento prestado nesta terça-feira (02), o dono da empresa de impermeabilização, José Roberto Porto Correa, confessou que manipulava produtos químicos mesmo sem as devidas autorizações da Polícia Civil, Polícia Federal e Prefeitura de Curitiba. Para compor o produto usado para o serviço prestado, o empresário misturava um solvente e um álcool isopropílico — dois produtos altamente inflamáveis e que apresentam riscos de reações químicas violentas.

O proprietário disse que a fórmula foi repassada por um ex-funcionário da empresa e que fazia a mistura por conta própria, dentro de sua própria sala, deste outubro do ano passado. Os produtos eram armazenados em galões de 20 litros, posteriormente etiquetados como se fossem de uma marca exclusiva da empresa.

Correa afirmou que oferecia aos funcionários todos os equipamentos de proteção necessários. Ele também alegou que a equipe era treinada e competente para a execução dos serviços de impermeabilização.

“Eles estão à disposição para prestar todos os esclarecimentos e demonstrar que não houve crime. O próprio proprietário já realizou diversas vezes os serviços de impermeabilização”, argumentou o advogado Roberto Brzezinski Neto, que defende o casal José Roberto e Bruna Porto Correa.

A versão é contestada por outra testemunha ouvida no mesmo dia pela Delegacia de Explosivos, Armas e Munições de Curitiba. O supervisor da Impeseg, Heverton Gesse da Costa Skau informou que nunca havia sido orientado sobre os riscos da aplicação. O funcionário era recém-contratado e trabalhava há 11 dias na empresa.

Segundo Skau, a empresa não fornecia nenhum treinamento para o manuseio dos produtos químicos. Sobre o equipamentos de proteção individuais, o supervisor afirmou que a empresa não disponibilizava para o funcionários. Ele teria solicitado várias vezes aos proprietários que comprassem de tais equipmentos e recebido como resposta “que o foco era a expansão da empresa”, e não a compra de equipamentos.

Além de Curitiba, a Impeseg presta serviços em várias cidades, como Londrina, Maringá e Ponta Grossa, no interior do Paraná; Goiânia (GO), Brasília (DF) e Gaspar (SC).

Laudos sobre a explosão

O delegado que preside o inquérito explica que apenas a perícia técnica pode cravar a causa definitiva da explosão. Pelo menos dois laudos estão em processo de conclusão: o principal é produzido pelo Instituto de Criminalística (IC); o segundo, particular, é desenvolvido pela empresa responsável pelo sistema de gás que abastece o edifício.

“Além disso também vamos pedir o parecer de um engenheiro químico para não restar dúvidas sobre a causa do incidente”, explica o delegado Adriano Chohfi, titular da Delegacia de Explosivos, Armas e Munições de Curitiba (Deam).

Se confirmada a principal linha de investigação – que aponta o produto químico impermeabilizante como o responsável pela explosão -, os donos da empresa Impeseg Higienização e Impermeabilização podem ser indiciados por homicídio.

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