Facção criminosa cogitou atirar contra casa de governadora

Redação

O inquérito da Polícia Federal que levou a denúncia do Ministério Público do Paraná (MPPR) contra 36 pessoas envolvidas com o Primeiro Comando da Capital (PCC), muitas já presas em penitenciárias, que atuavam e comandavam a facção dentro de presídios do Paraná, traz diversos áudios sobre decisões do grupo e detalhes sobre os bastidores da facção.

Entre os arquivos, uma sequência de gravações de agosto e setembro narram o pedido e tentativas de membros da facção para transferir presos que correm risco de vida em Roraima, a cogitação de um ataque contra a penitenciária e até a casa da então governadora Suely Campos (PP) para chamar atenção para o caso.

> 36 membros do PCC são denunciados pelo MP-PR; facção cometia torturas e tinha acesso ao wi-fi do presídio de Piraquara

Em uma das gravações interceptadas em agosto do ano passado, Jhonnatas Nunes de Oliveira, conhecido como Luizinho, Luiz e Matheus pela facção, preso na Penitenciária de Catanduvas, no Oeste do Paraná, conversa com outros membros, entre eles Miriane, que fala sobre uma situação de tensão em Roraima, gritos e a falta de notícias sobre os “irmãos” da facção.


Miriane fala da frente da penitenciária em Roraima enquanto conversa com uma advogada que tenta acesso aos presos. Ela conta que a informação que recebeu aponta que membros do Comando Vermelho estavam preparados e armados para matar os rivais e que apenas uma parede separava as duas facções.

Segundo Miriane, a advogada volta minutos depois e diz que não conseguiu acesso aos presos. Jhonnatas afirma que está em contato com outro advogados [“gravata”] para entrar no presídio, verificar a situação e entrar com pedido para remoção dos presos daquele local devido ao risco de vida.

Na sequência, um outro membro do PCC, conhecido como Pixote, diz que está cansado de aguardar a transferência dos presos, que já passou por todos os trâmites, incluindo advogados, Direitos Humanos e a imprensa e sugere um ataque contra a cadeia pública.

Pixote também sugere atirar na casa da então governadora Suely Campos (PP) e onde mais for necessário para chamar atenção para o caso.

Colapso no sistema prisional

Suely Campos não chegou a concluir seu mandato. O colapso relacionado à segurança pública e ao sistema prisional foram os principais motivos. Ela foi afastada do cargo após a intervenção federal em dezembro do ano passado.

Um mês antes, em novembro, o acordo de intervenção já havia passado para a União a responsabilidade pela gestão administrativa e financeira de todas as unidades penitenciárias de Roraima.

A intervenção federal nas penitenciárias durou até a última quarta-feira (13), quando a administração saiu das mãos do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e voltou para a Secretaria de Justiça de Cidadania (Sejuc), pasta responsável pelo setor em Roraima.

Operação Pregadura

A Polícia Federal deflagrou a Operação Pregadura em novembro de 2018 com o objetivo de reprimir crimes de líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) que atuam dentro e foram dos presídios brasileiros. As decisões partiam normalmene de dentro da PEP e eram repassadas através de uso de celulares e aplicativos de mensagens para a facção em todo o país.

O Ministério Público do Paraná (MPPR) apresentou denúncia contra 36 investigados na semana passada. Entre eles, 29 estão presos, sendo 19 no Paraná – 16 em Catanduvas e três em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. Os demais estão em seis estados diferentes – Rio Grande do Norte, Roraima, Rondônia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

A operação recebeu esse nome em alusão ao movimento do xadrez em que um jogador imobiliza as peças do adversário. O principal objetivo da operação é imobilizar criminosos de maneira a impedir o reiterado comando da prática de crimes dentro e fora das unidades prisionais.

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