Facção criminosa montava planilhas financeiras do crime, aponta PF

Redação


A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (6), a Operação Cravada para desarticular o núcleo financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa com ramificações dentro e fora dos presídios brasileiros. De acordo com a PF, os criminosos tinham um organizado sistema de contabilidade, incluindo planilhas financeiras.

“Nós conseguimos obter várias planilhas, onde isso era contabilizado como em uma empresa de contabilidade. Os valores entravam e saiam. Pessoas eram responsáveis por fazer o fechamento, ou seja, o dinheiro que entrou nessas várias contas tinha que sair delas e chegar em outras pessoas. Tudo era checado, para ver se não faltava dinheiro”, explicou o delegado da Polícia Federal, Martin Bottaro Purper.

A investigação teve início em fevereiro deste ano a partir de informações que apontavam a existência de uma espécie de núcleo financeiro da facção criminosa estabelecido na Penitenciária Estadual de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. O grupo seria responsável pelo gerenciamento e emprego de valores para financiamento de crimes nos estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Acre, Roraima, Pernambuco e Minas Gerais.

Purper detalhou que os suspeitos arrecadavam os valores como uma espécie de piramide. A investigação indica a circulação de aproximadamente R$ 1 milhão por mês nas diversas contas utilizadas em benefício do crime. “Eles arrecadam valores dos seus comparsas através de rifas cobradas de dois em dois meses e esse valor sobe dentro de uma piramide. Ele sai da base e chega nos principais líderes. Esse valor é aplicado em prol dos líderes”, ressaltou.

Conforme o delegado, os membros que se recusam a pagar ou atrasam o pagamento sofrem penalidades muitas vezes cruéis. “As pessoas que devem ou não pagam, ou são excluídas ou são espancadas. Se valem desse meios bárbaros para que os líderes tenham mais dinheiro, a base sustente e o crime continue”, afirmou.

BILHETES

A polícia encontrou diversos bilhetes utilizados na comunicação dos detentos. “Esses bilhetes apreendidos hoje, inclusive, eles seriam levados para unidades prisionais. E é uma das principais formas de comunicação dos presos e lideranças de cadeia com o meio externo. Muitas vezes se acha que é uma carta da família, mas é uma em 20. As outras 19 são ordens tratando normalmente de tráfico de drogas, assalto e cobrança de dívidas”, destacou.

Foto: Polícia Federal

Foram identificadas e bloqueadas mais de 400 contas bancárias suspeitas em todo o país. Os valores que transitavam entre as contas bloqueadas eram utilizados para pagar a aquisição de armas de fogo e de entorpecentes para a facção, além de providenciar transporte e manutenção da estadia de integrantes e familiares de membros da Facção em locais próximos a presídios.

OPERAÇÃO

Ao todo, cerca de 180 policiais federais cumpriram 55 mandados de busca e apreensão e 30 mandados de prisão em 23 cidades. As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Criminal de Piraquara.

 

 

Paraná

  • Piraquara
  • Curitiba
  • São José dos Pinhais
  • Paranaguá
  • Centenário do Sul
  • Arapongas
  • Londrina
  • Umuarama
  • Pérola
  • Tapejara
  • Cascavel
  • Guarapuava

São Paulo

  • São Paulo
  • Itapeva
  • Praia Grande
  • Osasco
  • Itaquequecetuba
  • Hortolândia

Acre 

  • Rio Branco

Minas Gerais

  • Uberlândia

Mato Grosso do Sul 

  • Dourados

Roraima 

  • Boa Vista

Pernambuco 

  • Caruaru

Os investigados devem responder, na medida de suas participações, pelos crimes de Tráfico de Entorpecentes, Associação para o Tráfico, Organização Criminosa, entre outros.

OPERAÇÃO CRAVADA

O nome da operação faz referência a uma jogada de xadrez em que uma peça, quando ameaçada de captura pela peça adversária, fica impossibilitada de se mover, em razão de haver uma peça de maior valor em risco. De igual forma, conforme a PF, a operação deflagrada visa sufocar as reações das lideranças de Facções Criminosas, atingindo os núcleos importantes de comunicação e de gerenciamento financeiro.

 

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