Falha geológica pode ser a causa de abalos na Grande Curitiba

Daiane Andrade - BandNews FM Curitiba


 

Quase dois anos depois de uma série de tremores em Itaperuçu e Rio Branco do Sul, na Grande Curitiba, a região voltou a registrar abalos nesta semana. E o Centro de Sismologia da USP, Universidade de São Paulo, não descarta a possibilidade de mais eventos nem de que haja uma falha ou fissura geológica por trás das ocorrências.

De acordo com o técnico em Sismologia José Roberto Barbosa, o Brasil está no centro de uma placa tectônica e, por isso os episódios são menos intensos. O que não significa que eles não possam ocorrer. “Terremoto a nível universal, é um grande terremoto. Os nossos são pequenos tremores. Esse que aconteceu na madrugada de ontem, foi um pequeno tremor, que atingiu a magnitude de 2.5, Esse pequeno tremor  foi detectado por uma dúzia de estações. A origem do terremoto, do grande terremoto ou do pequeno tremor, é a liberação de tensões que vão sendo acumuladas dentro das placas tectônicas. Como tem acontecido frequentes tremores nessa região de Rio Brando do Sul ou Itaperuçu, isso poderia ser uma movimentação de uma pequena fissura ou uma falha geológica”, explica ele.

Desta vez, o abalo – com duração entre dois e três segundos – foi relatado por moradores de Rio Branco do Sul por volta das 4h30 da madrugada de ontem (23). O locutor Elias Santos, que mora na cidade, fez uma transmissão logo após o abalo.  “Não sei se fui só eu que senti, mas tremeu a terra e foi forte. Eu cheguei acordar, assustado, eu cheguei a acordar, aqui em Rio Branco foi forte e eu pensei: – Meu Deus, o que é isso?”, recorda ele.

O tremor, de 2,5 graus na Escala Richter, também foi sentido por moradores de Itaperuçu, cidade vizinha à Rio Branco do Sul. Mesmo assim, não houve danos materiais e nem vítimas. O evento foi o sétimo do tipo no estado em cerca de 13 anos. “Essas placas estão se movimentando alguns centímetros por ano e desse atrito as tensões vão se acumulando em diferentes pontos porque esses materiais vão se esfregando, se empurrando, etc. No nosso caso, nós estamos numa condição entre a placa no centro da placa Sul Americana que se movimenta em direção a placa de Nazca, que vem do Chile, Peru, Argentina, e a placa de Nazca dá um mergulho em direção á placa Sul Americana e isso promove esses tremores e grandes terremotos. Embora nós não tenhamos grandes terremotos aqui, nós não podemos descartá-los, porque nós já tivemos por aqui tremores que atingiram até 6.2 na escala, em 1955, no Mato Grosso”, lembra.

O abalo mais intenso registrado no Paraná nos últimos anos ocorreu em 2006, nas imediações de Telêmaco Borba, nos Campos Gerais do Paraná. Já o episódio de 2017 chegou a 3,5 graus e foi sentido em um raio de até 100 quilômetros do epicentro. “Para nós, esses eventos ficam colocados na categoria de sismos naturais. Sismos naturais são provavelmente induzidos pela movimentação das placas tectônicas. É como se você fosse colocar um caminhão pesado em uma descida. Você puxa o freio de mão, mas não engata. Ele fica pesado e aquela tensão do peso vai se acumulando nas rodas e no freio e vai segurando. Porém, aquelas lonas vão esquentando e vão acumulando tensões e chega uma hora que elas não começam a suportar as tensões, até chegar uma hora que elas não suportam mais e liberam totalmente o caminhão”, exemplifica.

A Escala Richter não tem exatamente um limite. O maior terremoto já registrado no mundo ocorreu no Chile, em 1960: foram 9,5 graus. O abalo foi provocado pelo contato entre placas tectônicas ao longo de 965 quilômetros da costa chilena, mas como a zona de atrito poderia ter sido maior, a classificação da medição pode subir indefinidamente.

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