Falta de pessoal atrasa investigações no PR, afirma ex-diretor-geral da Polícia Científica

Francielly Azevedo

investigações

O ex-diretor-geral da Polícia Científica do Paraná, perito criminal Hemersson Bertassoni, afirmou que a falta de profissionais na instituição está comprometendo o trabalho de investigação e perícia em diversas ocorrências no Estado. O desabafo foi feito em entrevista coletiva na Assembleia Legislativa do Paraná, nesta segunda-feira (4), após ele receber uma menção honrosa.

“No geral nós temos deficiência de pessoal. Nós temos uma área de atuação do Instituto de Criminalística que tem um perito cobrindo quatro a cinco cidades enormes na região de Londrina. Nós não estamos atendendo a todas solicitações da Polícia Civil por falta de pessoal, nós não conseguimos muitas vezes dar uma celeridade ao caso que ele merece. São atrasos que vão acontecendo tanto no nível de inquéritos da Polícia Civil quanto no nível de ação penal ao TJ”, explicou.

O trabalho dos profissionais é fundamental na solução de diversos crimes de grande repercussão. Ao analisar vestígios do local do crime, ele fornece provas materiais para o delegado, promotor, advogados e juiz.

No Paraná, são 354 peritos e 127 auxiliares de perícia, que trabalham nos institutos Médico-Legal e de Criminalística do estado. Eles atuam nos mais diversos casos como acidentes de trânsito com vítimas, identificação de veículos, exames de balística, análise de imagens e vídeos, exames laboratoriais e químicos, ocorrências com explosões, incêndios, desabamento e até contra o patrimônio.

Bertassoni ressalta a necessidade do chamamento de aprovados em um concurso feito em 2017 para ajudar nesse trabalho. “Nós temos uma questão operacional do concurso, nós precisávamos chamar esse pessoal do concurso de 2017. A gente precisa de mais pessoas tanto pros auxiliares, quanto para os peritos oficiais para dar conta aos nossos serviços. Tem também a questão salarial que o sindicato tá tratando. Mas principalmente a questão de pessoal”, afirmou.

O vice-líder do governo e um dos proponentes da homenagem, deputado Tiago Amaral (PSB), destacou que o Poder Executivo e os deputados entendem a necessidade de contratação e que isso está sendo estudado no projeto de reformulação da Segurança Pública do Paraná. “A contratação de pessoas por exemplo na Polícia Militar, que é de 2.400 vagas para esse ano, na Polícia Científica entendesse que em torno de umas 200 contratações seria quase que suficiente para suprir quase todas as necessidades. Ao mesmo tempo que sabemos que a demanda é grande, nós entendemos que é possível de suprir isso, e o governador Ratinho Junior tem essa consciência”, pontuou.

O deputado ressalta que também tem conhecimento sobre a situação das viaturas da Polícia Científica. “Nós também sabemos a necessidade em relação as viaturas, viaturas mais compatíveis com o trabalho da Polícia Científica. Por exemplo, carros altos são fundamentais, porque a maioria dos crimes acontece em local de difícil acesso, por isso é importante que se tenha veículos compatíveis”, salientou.

O QUE DIZ A SESP

Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública disse que estuda constantemente as carreiras dos seus integrantes, bem como busca melhorias e benefícios que motivem os profissionais a continuarem sempre desempenhando um excelente trabalho à comunidade.

A SESP informou que em julho deste ano tomaram posse 96 novos profissionais para reforçar a Polícia Científica do Paraná. Dentre eles médicos-legistas, peritos criminais, toxicologistas, odontolegistas e químicos -legais, aprovados em concurso público de 2017. Eles estão em curso de formação e devem assumir os cargos das unidades de todo o Paraná em breve.

RACHEL GENOFRE

O perito Hemersson Bertassoni esteve na Assembleia para explicar o funcionamento da Polícia Científica e falar sobre o assassinato da menina Rachel Genofre, encontrada morta em uma mala, em 2008, na Rodoferroviária de Curitiba. Ele é um dos gerentes do Laboratório Forense da Polícia Científica e assinou 140 dos 170 laudos de cruzamentos genéticos do caso. A polícia chegou ao nome do suspeito depois de 11 anos de investigação, graças ao banco nacional de perfis genéticos de criminosos.

“Foi o caso mais desafiador da minha carreira, eu tô com 25 anos. Mais desafiador pra Polícia Científica, que eu tenha conhecimento. Eu fui o primeiro perito a construir o perfil genético, lá em 2008. Foram mais de 170 confrontos dando negativo. Até que a gente chegou nesse resultado maravilhoso com o match code DNA com os dados da Polícia de São Paulo”, explicou.

 

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.