Família que velou corpo na rua por 13 horas entra na Justiça contra o Estado

Fernando Garcel


Redação com BandNews FM Curitiba

A família que ficou quase 14 horas velando o corpo de um homem vítima de latrocínio no meio de uma rua de Colombo, na Grande Curitiba, pede quase R$ 500 mil reais de indenização do governo do Estado. Os pais e a companheira de Carlos Ramon Dias Del Antônio, morto no fim da noite de 15 de janeiro, entraram ontem (28) na Justiça pedindo uma reparação por danos morais no valor de R$ 150 mil para cada um.

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Na ação, o argumento é o de que eles foram submetidos a sofrimento “desumano e degradante”, e que houve descaso por parte das autoridades. Mas o advogado José Rodrigo Sade, que representa a família, conta que a hipótese de acordo não está descartada.

“O bairro inteiro presenciou. A imprensa cobriu esse episódio. Não havia viatura IML para levar o corpo para autopsia. Então, nesta ação, a gente entende que houve um prejuizo e um dano moral muito grande à família e que o juiz fixe uma indenização a ser paga pelo [Estado do] Paraná”, diz o advogado.

De fato, o governador Beto Richa (PSDB) classificou o episódio como inaceitável e esse foi o motivo que faltava para a demissão do então secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita. A pasta já atravessava uma fase de problemas internos e, com o ocorrido, ele foi substituído Júlio Reis.

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Relembre

Carlos Ramon não tinha antecedentes criminais e morreu durante uma abordagem criminosa quando seguia para casa a pé com a companheira, Rayane Aleôncio, e uma amiga do casal. Ele tinha 18 anos de idade e foi assassinado a golpes de faca pelos bandidos que queriam os telefones celulares do trio, e tudo isso diante das duas mulheres.

O corpo ficou exposto em via pública até a chegada de uma viatura do IML. No local, nem mesmo quem tentou ajudar foi autorizado a remover o cadáver por meios próprios.

“A família está muito abalada ainda. Ainda estão em choque. Na época não houve nenhum tipo de apoio à família… nenhum agente de Estado foi lá para confortar. Eles ficaram na rua, ao relento. É o momento do Estado tem para comparecer a audiência e tomar alguma atitude para amenizar a dor que eles estão sofrendo”, conta Sade.

Enquanto velavam o rapaz sobre o asfalto e ao lado de um terreno baldio, os familiares enfrentaram momentos de chuva e a presença de animais atraídos pelo cheiro forte, entre outras coisas. Até mesmo uma barraca foi improvisada no local para tentar amenizar a situação precária.

O sepultamento só foi realizado no início da tarde do dia 17 de janeiro, obrigando tanto a companheira quanto os pais do jovem, Sueli Aparecida Dias Del Antônio e Edi Carlos Del Antônio, a permanecerem acordados por mais de 36 horas seguidas.

Na época, a Secretaria de Segurança Pública reconheceu que não havia viaturas disponíveis no momento do crime. Em nota, o órgão esclareceu que, em menos de 24 horas, ocorreu um problema mecânico com uma viatura do IML e um acidente com outra. Além disso, mais dois veículos teriam apresentado falhas mecânicas entre os dias 15 e 16 de janeiro.

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